Cortes em auxílios sociais podem retrair economia do interior, diz estudo da USP

O levantamento do Made-USP, divulgado nesta semana, projeta que a falta de reajustes reais em benefícios sociais e previdenciários como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC) pode gerar uma retração econômica severa em cidades do interior brasileiro. Nesses municípios, as transferências públicas chegam a ser o dobro em relação aos grandes centros urbanos, representando até 40% da renda agregada em algumas regiões. A economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP, destaca que o dinheiro desses benefícios circula imediatamente no comércio local, sustentando empregos e arrecadação. O estudo compara cenários de crescimento real (2022-2025) com congelamento (2019-2022) e prevê que a ausência de ganhos reais nos benefícios empurraria aproximadamente 2,7 milhões de pessoas para a pobreza, sendo 2,4 milhões para a extrema pobreza, em municípios fora das regiões metropolitanas.

Análise

O desfecho dependerá das decisões do governo federal em relação à política de reajuste dos benefícios sociais e previdenciários nos próximos orçamentos. A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) para o próximo ano, que detalha os gastos e reajustes, será um ponto crucial para confirmar ou mitigar os riscos apontados pelo estudo. As discussões e votações da LOA geralmente ocorrem no Congresso Nacional entre novembro e dezembro de cada ano.

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