A Multiplan pretende manter cautela na decisão sobre novos investimentos em expansões de shopping centers e avalia ampliar a distribuição de recursos aos acionistas, a depender das condições de mercado e do cenário econômico. Em teleconferência de resultados com analistas e investidores realizada nesta sexta-feira (30), a companhia afirmou que concluiu boa parte do ciclo de revitalizações e ampliações de seu portfólio e não descarta passar até cinco anos sem iniciar novos projetos. “Pode ser que a gente fique cinco anos sem pregar um prego”, afirmou o presidente da Multiplan, Eduardo Peres. Segundo ele, novos investimentos dependerão de um ambiente econômico favorável e da disposição dos lojistas para expandir suas operações. O executivo afirmou que a procura por novas lojas continua forte, mas ponderou que as propostas recebidas ainda precisam se converter em contratos. : Venda de fatia em shopping faz lucro da Multiplan subir 73% no 3º trimestre Confira os resultados e indicadores da Multiplan e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A reforma tributária também é motivo de preocupação para a companhia. Peres afirmou que a Multiplan trabalhava com uma alíquota de 28% para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), mas que o percentual divulgado ficou próximo de 30%. Segundo o executivo, a diferença adiciona incerteza ao planejamento da empresa. A companhia também avalia diferentes alternativas para devolver capital aos acionistas. O diretor financeiro, Armando d’Almeida Neto, afirmou que a prioridade é utilizar o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) até o limite permitido, em razão da eficiência tributária. Depois disso, a empresa poderá combinar dividendos e recompra de ações, conforme os preços e as condições de mercado. A perspectiva de novos investimentos ocorre em meio a um desempenho operacional positivo. Peres afirmou que as vendas dos shoppings cresceram cerca de 5% em outubro e que a companhia espera manter o ritmo até o fim do ano, apoiada pelas inaugurações de áreas ampliadas e pelas ações de Natal. No terceiro trimestre, o fluxo de veículos nos empreendimentos avançou 2,5%, segundo o executivo. A Multiplan também vê espaço para ampliar organicamente as receitas de aluguel e serviços, sem necessariamente realizar grandes investimentos. Entre os fatores citados pelos executivos estão o aumento da ocupação, a concentração de lojistas nos melhores pontos dos empreendimentos e o crescimento do fluxo de visitantes. A empresa afirmou ainda que o interesse de marcas internacionais pelo mercado brasileiro continua, embora não atribua esse movimento diretamente à simplificação tributária. Sobre a exposição a grandes redes varejistas, Peres disse que os 25 maiores grupos de lojistas representam cerca de 23% da receita de aluguel da companhia. Segundo ele, eventuais fechamentos de lojas de grandes grupos têm impacto limitado sobre os resultados. Escala 6x1 A Multiplan afirma que seus shopping centers estão preparados para absorver uma eventual mudança da escala de trabalho 6x1 para 5x2 sem aumento de custos para os lojistas ou para a operação. Segundo Peres, a empresa já realizou cálculos considerando a alteração da jornada. Peres afirmou que prefere modelos com maior flexibilidade, mas disse que a companhia está preparada para uma eventual mudança. O executivo também afirmou que a principal preocupação da Multiplan em relação aos custos de condomínio é a reforma tributária, e não uma alteração na jornada de trabalho. As despesas de propriedade, compostas principalmente por custos de condomínio, segundo d'Almeida Neto, caíram 41,7% em termos reais nos últimos cinco anos. No mesmo período, as despesas da sede da companhia avançaram 2,7% acima da inflação. Eduardo Peres, presidente da Multiplan Leo Pinheiro/Valor
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