Uma gestora de patrimônio de uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita está realocando suas operações de Londres para Dubai, conforme fontes familiarizadas com o assunto. Este é o mais recente exemplo de êxodo de capital privado do Reino Unido para o Golfo, impulsionado por fatores como incentivos fiscais, ambiente regulatório mais flexível e a busca por proximidade com novos centros de crescimento econômico. A saída de capital exerce pressão sobre a libra esterlina, o mercado imobiliário de luxo em Londres e ações de bancos e gestoras de ativos com forte presença no Reino Unido. Para o investidor brasileiro, a desvalorização da libra pode tornar ativos britânicos mais atrativos em BRL no curto prazo, mas a instabilidade geopolítica no Golfo (Iran war) eleva o prêmio de risco global, impactando IBOV e o câmbio USDBRL. Governos do Golfo, como Dubai, estão ativamente criando políticas para atrair esse capital, oferecendo vistos de residência e regimes fiscais favoráveis, enquanto o governo britânico enfrenta desafios para reter wealth managers. Similarmente, após o Brexit em 2016, houve um deslocamento significativo de instituições financeiras de Londres para Dublin, Frankfurt e Paris, resultando em uma perda estimada de €800 bilhões em ativos bancários para o Reino Unido. O próximo gatilho a monitorar é a divulgação de dados sobre o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) no Reino Unido e nos países do Golfo, que podem quantificar a magnitude dessa tendência no próximo trimestre.
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