Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira (21) a criação de um escritório de combate ao narcotráfico em Assunção, capital do Paraguai, que funcionará como centro regional de coordenação de ações na América Latina. A iniciativa faz parte de um reforço da cooperação em segurança entre Washington e o governo do presidente paraguaio, Santiago Peña, aliado de Donald Trump e integrante do Escudo das Américas, aliança regional lançada pela Casa Branca e voltada ao combate ao narcotráfico e ao crime organizado. Leia também: Trump constrói ampla aliança militar na América Latina a baixo custo EUA enviam drones à América Latina em ofensiva contra cartéis, diz jornal EUA levam ‘guerra ao terror’ contra cartéis para alvos em terra O anúncio foi feito durante a visita oficial de três dias do subsecretário de Estado americano Christopher Landau, ao Paraguai. Landau se reuniu com Peña e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez. Na ocasião, Washington também comunicou que destinará US$ 11,75 milhões em assistência para ampliar as capacidades de segurança do país latino-americano, com recursos destinados ao enfrentamento do terrorismo, do narcoterrorismo e do crime organizado transnacional. Do total de recursos anunciados, US$ 5,5 milhões serão destinados ao combate ao financiamento do terrorismo e do narcoterrorismo, à criação de um centro antiterrorista e ao fortalecimento dos controles de fronteira e da capacidade de análise de provas digitais. Os outros US$ 6,25 milhões financiarão ações contra o crime organizado transnacional. De acordo com informações do Departamento de Estado, o novo escritório estará subordinado ao Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) e atuará como centro de coordenação dos programas americanos no Cone Sul. “Os governos de Trump e Peña continuam abrindo caminho para uma parceria histórica que oferece grandes oportunidades aos dois países, ao mesmo tempo que contribui para a segurança e a prosperidade do hemisfério”, escreveu o departamento em comunicado sobre a viagem. O departamento acrescentou que Landau e Ramírez assinaram um Acordo de Assistência para Interceptação Aérea, que, conforme o órgão, entrará em vigor após uma posterior troca de notas diplomáticas. “O acordo fortalecerá a capacidade do Paraguai de monitorar e proteger seu espaço aéreo contra voos suspeitos de envolvimento com o narcotráfico”, diz Além disso, o subsecretário americano e o chanceler paraguaio assinaram um memorando de intenções para reforçar a cooperação no combate ao deslocamento internacional de terroristas. O documento prevê a implementação no país do sistema americano PISCES, ferramenta de gestão de fronteiras e verificação de passageiros destinada a fortalecer os controles migratórios e ajudar a identificar possíveis ameaças terroristas. Washington ainda deve enviar pela primeira vez a Assunção um assessor da embaixada especializado em contraterrorismo. O funcionário terá a tarefa de acompanhar os novos compromissos assumidos pelos dois países e apoiar iniciativas que já estão em andamento. A ampliação da cooperação entre Washington e Assunção ocorre em meio à estratégia de Trump de reforçar o combate às organizações criminosas latino-americanas. Após retornar à Casa Branca para seu segundo mandato, o presidente republicano assinou uma ordem executiva que classificou importantes cartéis de drogas e grupos do crime organizado da região como organizações terroristas. O Paraguai é um dos integrantes do Escudo das Américas, iniciativa de segurança promovida por Washington em parceria com governos latino-americanos, principalmente, os alinhados à direita. Durante a visita de Landau, o americano e Peña visitaram uma unidade militar criada para combater o terrorismo e o crime organizado na Tríplice Fronteira, região compartilhada por Paraguai, Brasil e Argentina. Além disso, eles foram à usina hidrelétrica de Itaipu, no leste paraguaio. Após concluir sua agenda no país, o subsecretário americano seguiu para a Argentina. Posteriormente, na quarta-feira, o presidente paraguaio viajou a Washington para uma visita de três dias, durante a qual confirmou uma reunião com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe. Peña foi acompanhado, entre outras autoridades, pelo ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez, e pelo chefe do Gabinete Civil da Presidência, Javier Giménez. A viagem do mandatário paraguaio também inclui uma participação na Universidade George Washington e um discurso na gala anual do centro de estudos Diálogo Interamericano, realizada na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA). O subsecretário de Estado americano, Christopher Landau (à esquerda), e o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez, concedem entrevista coletiva no Palácio de López, em Assunção AP/Jorge Saenz Projeto de IA com energia de Itaipu Na mesma esteira do reforço da cooperação no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, o Paraguai e os EUA divulgaram uma parceria entre a Crusoe, empresa americana especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura. O acordo prevê a construção de uma instalação de computação de alto desempenho voltada à inteligência artificial, que será abastecida com energia da usina hidrelétrica de Itaipu, administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai. “No âmbito da parceria, a Crusoe planeja colocar uma primeira instalação em operação em meados de 2027. A unidade utilizará diretamente uma das maiores fontes de energia hidrelétrica 100% renovável do mundo e atenderá clientes de serviços de nuvem nos Estados Unidos e na América Latina”, diz o Departamento de Estado americano no comunicado sobre o projeto O comunicado, porém, não informou o valor do investimento, a capacidade de geração de energia que será destinada ao empreendimento nem o volume de eletricidade contratado pelas empresas. O Brasil também não foi mencionado no anúncio. Administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai, Itaipu tem sua produção de energia dividida entre os dois países conforme um tratado assinado em 1973, que estabelece o direito de cada um a 50% da eletricidade gerada. A usina hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, em Foz do Iguaçu Bloomberg/Adriano Machado
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real