O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendem propostas econômicas divergentes em três áreas principais: a escala 6x1, a reforma tributária e o salário mínimo. Lula propõe o fim da escala 6x1, com redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem diminuição salarial, e dois dias de descanso. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece essa mudança foi aprovada em 14 de outubro, prevendo adaptação do mercado de trabalho para 42 horas com dois dias de descanso e, em 15 de dezembro de 2026, a redução para 40 horas. Apesar de ter votado a favor, Flávio Bolsonaro inicialmente foi contra, defendendo maior flexibilidade, como a contratação por hora trabalhada, que seu partido pretende apresentar como substituição caso ele seja eleito. Na reforma tributária, já aprovada em 2023 no início do terceiro mandato de Lula, o foco é evitar cobranças cumulativas e aumentar a transparência, com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Lula defende a consolidação dessa reforma e aprofundamento da tributação progressiva. Flávio Bolsonaro, por sua vez, propõe revisar a reforma para reduzir exceções setoriais, buscando uma alíquota geral menor, e prevê a redução de tributos sobre energia elétrica e combustíveis. Ambos os políticos se comprometeram a manter a política de valorização real do salário mínimo, com reajustes acima da inflação. Flávio Bolsonaro também afirmou em 16 de outubro, em entrevista à TV Globo, que não pretende desvincular os reajustes das aposentadorias do piso nacional, apesar de economistas defenderem essa medida para conter gastos obrigatórios. Analistas têm apontado uma divergência entre a proposta de Bolsonaro de ajuste fiscal e a expansão de despesas sinalizada em suas declarações.
O desfecho dependerá da implementação da nova escala de trabalho, que entra em vigor em 15 de dezembro de 2026, e de como o mercado de trabalho se adaptará nos 60 dias após a aprovação da PEC em 14 de outubro. Além disso, as discussões sobre a revisão da reforma tributária e a política fiscal em relação ao salário mínimo e aposentadorias, cujos detalhes serão acompanhados nas próximas votações e declarações governamentais, serão cruciais para definir os impactos finais na economia brasileira.
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