O Fundo Monetário Internacional (FMI) previu nesta quinta-feira (22) uma forte queda da atividade econômica no Oriente Médio, Norte da África e Paquistão neste ano devido à guerra no Irã, seguida por um crescimento de 6,6% em 2027, embora tenha alertado que novas interrupções na produção de energia podem piorar as perspectivas. O FMI afirmou que a produção econômica da região deverá recuar 1,3% como resultado do impacto da guerra sobre a produção de energia, o transporte marítimo, o turismo, o comércio e a confiança. O crescimento econômico deverá acelerar fortemente em 2027, mas a produção dessas economias permanecerá, em geral, abaixo das projeções anteriores à guerra. O impacto do conflito liderado pelos EUA e por Israel contra o Irã foi substancial, mas desigual, com as economias exportadoras de petróleo diretamente afetadas pelas interrupções na produção e no transporte de energia sofrendo consequências mais graves, enquanto os importadores de petróleo demonstraram maior resiliência, afirmou o FMI em seu relatório regional divulgado nesta quinta-feira, em Dubai. "Essa forte revisão para baixo está concentrada nas economias mais diretamente afetadas pelo conflito", disse Jihad Azour, diretor do FMI para o Oriente Médio e a Ásia Central, em entrevista coletiva. "Vários exportadores de petróleo do Golfo devem enfrentar uma recessão neste ano", acrescentou. Segundo o relatório regional do FMI, as economias do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) deverão registrar contração em 2026, com exceção de Omã. Bahrein, Kuwait e Catar, além do Iraque, que não integra o CCG, deverão apresentar quedas de dois dígitos no Produto Interno Bruto (PIB). "Embora relativamente menos afetados pelas interrupções no comércio de energia, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também deverão enfrentar uma recessão em 2026", afirmou o FMI no relatório. O Fundo informou que seu cenário-base pressupõe que o conflito perderá intensidade no início de 2027 e que o comércio se normalizará gradualmente ao longo do ano, mas ressaltou que as perspectivas continuam marcadas por uma "incerteza excepcionalmente elevada". "Um conflito mais prolongado continua sendo o principal risco para as perspectivas", disse Azour. Na quarta-feira, o Departamento de Estado americano ordenou que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de funcionários de várias outras missões americanas na região, disseram autoridades à Reuters. A medida ocorre após a intensificação dos ataques com mísseis dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, contra o reino saudita. As condições financeiras externas também podem se tornar mais restritivas caso os investidores reavaliem os ganhos de produtividade impulsionados pela inteligência artificial e as taxas de juros subam ainda mais, em meio ao aumento das preocupações com a inflação e a situação fiscal, afirmou o FMI em suas projeções. A demanda interna nas economias importadoras de petróleo é sustentada pelas remessas de recursos do exterior e pelos fluxos de turismo, por condições financeiras favoráveis e por respostas rápidas de política econômica que protegem os consumidores da alta dos preços das commodities, segundo o Fundo. O crescimento no Cáucaso e na Ásia Central está desacelerando em direção a um ritmo mais sustentável, afirmou o FMI, que prevê uma expansão da atividade econômica de 5,2% em 2026 e de 5% em 2027. O FMI reiterou a mensagem transmitida durante suas reuniões anuais da semana passada, recomendando que os formuladores de políticas priorizem a manutenção da estabilidade de preços, ao mesmo tempo que preservem a sustentabilidade fiscal, mantenham a independência dos bancos centrais e implementem reformas estruturais para elevar a produtividade e criar empregos.
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