Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente, analisam a possibilidade de barrar canais políticos de WhatsApp com mais de 200 mil membros 48 horas antes do segundo turno das eleições. A medida atingiria o “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que já conta com mais de 7 milhões de integrantes. A lista de transmissão é considerada um trunfo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma eventual virada na disputa presidencial. Propostas para apertar o cerco ao canal teriam sido discutidas pelos ministros do TSE na noite de ontem, antes da sessão do plenário. A auxiliares, Nunes Marques não descartou a possibilidade de suspensão dos canais de WhatsApp. Ele teria afirmado que a corte irá refletir sobre “ideias” para os canais. Uma minuta sobre o tema propõe alterar a resolução 23.610, que trata de propaganda eleitoral. O texto estende aos grupos de WhatsApp a proibição de propaganda paga 48 horas antes e 24 horas depois da eleição. Ministros consultados, no entanto, afirmaram que a gestão do TSE cogita, sim, barrar os canais. “A proposta inicial era proibir canais de mais de 200 mil seguidores às vésperas da eleição. Essa foi a proposta inicial discutida”, disse um ministro em reserva ao Valor. Outro integrante do TSE confirmou a tratativa. Já pessoas próximas a Nunes Marques negam. Elas afirmam que os ministros apenas estão conversando sobre os canais, porque haveria uma preocupação sobre a divulgação de conteúdos ilícitos no “momento crítico” da disputa. O presidente não teria descartado, no entanto, a possibilidade de a conversa escalar para a vedação aos grupos de WhatsApp.
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