O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial, e sua família chegaram aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O jatinho particular em que viajavam pousou às 10h23 no aeroporto de Opa-locka Executive, em Miami, segundo o site de monitoramento aéreo FlightAware. Segundo apuração do Valor, Flávio e a família devem ser recebidos nos EUA pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que está no país desde o começo de 2025. Aliado da família, o blogueiro Paulo Figueiredo, que também mora nos Estados Unidos, afirmou em publicaçãoi na rede social X nesta manhã que Flávio fará uma coletiva de imprensa em Miami na quinta-feira (29). "Em horário e local a ser divulgado", disse. : Flávio fugiu com a família para os Estados Unidos em meio a investigações policiais e avalia pedir pedir asilo político ao governo americano. O Departamento de Estado dos EUA, de acordo com uma autoridade do governo, emitirá vistos para o senador, sua esposa e as duas filhas, e permitirá o ingresso deles no país. Ontem, quando questionado por jornalistas, o presidente Donald Trump confirmou que aprovaria os vistos. "Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei terrível", afirmou. "Eu aprovaria. Para mim, estaria tudo bem", acrescentou. O senador e sua família viajaram em um avião particular que partiu da Argentina. A aeronave fez uma breve escala no Equador e seguiu com destino a Miami. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio, a esposa e suas duas filhas entraram no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às 22h50 (horário de Brasília) de terça-feira (27). "Eles portavam documentação de viagem válido e não apresentavam qualquer impedimento legal para entrar no país. Além disso, os trânsitos foram registrados pela autoridade competente sem incidentes", afirma a autoridade argentina em uma postagem em sua conta na rede social. Ainda de acordo com o governo argentino, o grupo embarcou em um voo particular da empresa Baires Fly SA às 23h30 com destino à cidade de Guayaquil, Equador, conforme consta no plano de voo. Investigação Flávio descumpriu ontem a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes e não deixar o Brasil. O caso, que está sob sigilo, teria relação com inquérito da Polícia Federal que investiga suspeita de lavagem de dinheiro, aberto depois da quebra do sigilo do celular do advogado e empresário Willer Tomaz, amigo de Flávio. O senador tamném é investigado também em outro inquérito, que apura a origem e destinação de R$ 134 milhões negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Assim que ficar sem mandato, em fevereiro de 2027, Flávio perderá o foro privilegiado para investigações. Segundo aliados, o senador teme ser preso. PF apontou risco de fuga Ao solicitar a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, a PF apontou expressamente ao ministro Alexandre de Moraes a possibilidade de fuga do senador aos Estados Unidos. O pedido foi feito no domingo (25). Ainda segundo o documento, Flávio poderia dispor de uma estrutura de “permanência de longa duração” nos EUA, providenciada por Eduardo Bolsonaro. Os investigadores citam também o advogado Willer Tomaz, que está fora do Brasil desde agosto e “dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje”. Horas depois da decisão de Alexandre de Moraes que atendeu pedido da PF, na tarde de segunda-feira (26), Flávio divulgou um vídeo para dizer que cumpriria a determinação do ministro e negar a intenção de deixar o país. Na gravação, o senador atribuiu a decisão a um comentário de deputado Eduardo Bolsonaro, em que dizia que ele deveria sair do Brasil se perdesse a eleição. Eduardo está nos EUA desde o início de 2025 sob a alegação de que era alvo de perseguição jurídica. Derrotado nas urnas, Flávio não reconheceu a vitória do presidente Lula.
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