Com cerca de 2,36 milhões de cirurgias estéticas realizadas em 2025, o Brasil manteve a primeira posição mundial nesse tipo de intervenção, segundo a pesquisa global realizada pela International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Somados os tratamentos não cirúrgicos, o país alcança 3,2 milhões de procedimentos e fica atrás apenas dos Estados Unidos, volume que leva cirurgiões plásticos a alertar que segurança e resultado dependem de etapas encadeadas: avaliação pré-operatória, preparo do organismo, escolha técnica e acompanhamento próximo na recuperação. No Brasil, segundo o relatório completo, a lipoaspiração foi a cirurgia mais frequente (256.632), seguida por cirurgia de pálpebras (244.937), aumento de mamas (222.847), mastopexia ou lifting de mama (219.599) e abdominoplastia (153.329). No mundo, a cirurgia de pálpebras segue no topo, com mais de 2,4 milhões de registros, e, pela primeira vez, liderou entre mulheres e homens. Avaliação começa pela indicação Para o cirurgião plástico Dr. Rubem Bottas, do Instituto Bottas, em São José do Rio Preto (SP), a primeira consulta tem peso decisivo. "Costumo dizer que uma cirurgia plástica bem-sucedida começa muito antes de o paciente entrar no centro cirúrgico. O primeiro passo é compreender não apenas o que ele deseja modificar, mas principalmente suas motivações, expectativas e condições de saúde", afirma. Segundo o médico, a análise clínica considera histórico de saúde, doenças preexistentes, medicamentos em uso, composição corporal, hábitos de vida e fatores capazes de interferir na segurança do procedimento e na recuperação. "Nem tudo aquilo que o paciente deseja é necessariamente o que seu corpo precisa ou o que a cirurgia pode oferecer com segurança", pondera. "A boa cirurgia plástica não começa com a escolha de uma técnica, mas com a escolha correta de quem deve ser operado, quando e por quê", enfatiza. Um estudo publicado em 2023 na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), ampara esse cuidado. Ao analisar prontuários de 76 pacientes submetidas a aumento de mamas com silicone, os autores observaram que comorbidades e maior tempo cirúrgico elevaram as complicações e recomendaram compensar o quadro clínico antes da operação. Preparo físico e emocional O preparo do paciente é a etapa seguinte. No aspecto físico, o Dr. Rubem Bottas valoriza estado nutricional, composição corporal, preservação da massa muscular, atividade física regular e controle de doenças, com orientações que podem incluir ajustes alimentares e suspensão do tabagismo. "Mas existe um aspecto igualmente importante: o preparo emocional. O paciente precisa compreender que a cirurgia plástica é um processo, e não um acontecimento isolado", diz. O cirurgião lembra que a recuperação envolve limitações temporárias, inchaço e um período necessário para a evolução dos resultados. Tecnologia como complemento Um artigo da ASPS, sigla em inglês da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, inclui a radiofrequência para retração de pele e a busca por resultados naturais entre as tendências para 2026. "Na lipoaspiração, por exemplo, não basta retirar gordura. Precisamos considerar a qualidade da pele, sua elasticidade e a capacidade de adaptação ao novo contorno corporal", explica o Dr. Rubem Bottas. O especialista ressalta que esses recursos não substituem a indicação correta e que, com excesso significativo de pele, a abdominoplastia pode seguir necessária. "A tecnologia não substitui a experiência do cirurgião. Ela amplia nossas possibilidades quando utilizada com critério, conhecimento científico e respeito às características individuais de cada paciente". Recuperação integrada ao tratamento "Existe uma percepção equivocada de que a cirurgia termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico. Na realidade, naquele momento começa uma fase extremamente importante do tratamento", observa o médico. O período envolve inflamação, cicatrização, reorganização dos tecidos e adaptação do organismo, o que exige vigilância para identificar cedo possíveis complicações. "Por isso, não considero o pós-operatório uma etapa secundária. Ele é parte integrante da própria cirurgia", completa o especialista. Entre os cuidados dessa fase, a SBCP lista repouso inicial, retomada gradual das atividades, hidratação, malhas compressivas, proteção solar, fisioterapia quando indicada e consultas de retorno. A entidade descreve a recuperação como parceria entre paciente e médico. No Instituto Bottas, o acompanhamento reúne orientações individualizadas, avaliações periódicas e observação da cicatrização. "A abordagem multidisciplinar permite integrar, conforme a necessidade, diferentes áreas de cuidado, como enfermagem, nutrição e fisioterapia especializada, sempre respeitando a indicação médica e as particularidades de cada caso", detalha o cirurgião. A ASPS também alerta para o excesso de conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial (IA) na internet. Dr. Rubem Bottas nota que muitos pacientes chegam influenciados por imagens das redes sociais e por expectativas de resultados imediatos. "Meu papel como cirurgião é oferecer uma avaliação responsável, orientar com transparência e indicar aquilo que realmente faz sentido para cada pessoa", destaca. "Acredito em uma cirurgia plástica que respeita a anatomia, preserva a identidade e busca resultados naturais", conclui o cirurgião plástico. Para mais informações, basta acessar: https://rubembottas.com/
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real