Quase dois meses após o Mercado Livre anunciar que passaria a vender medicamentos com retenção de receita médica no Brasil, incluindo canetas emagrecedoras, a disputa entre a plataforma digital e as varejistas farmacêuticas ganhou um novo capítulo. Jonas Marques, CEO da rede de farmácias Pague Menos, afirmou que o marketplace comprou uma pequena farmácia em São Paulo e pretende atender o país sem seguir as mesmas regras, citando processos de falsificação de produtos farmacêuticos e de perfumaria. Marques exigiu que o Mercado Livre se submeta às mesmas normas da rede varejista, questionando como a plataforma pode vender produtos cujo origem não consegue comprovar. Ele acusou o marketplace de vender produtos da marca própria da Pague Menos, a Dauf, sem autorização, e de oferecer os mesmos itens a preços mais baixos. A Anvisa, que restringe a venda direta de medicamentos em sites sem conexão com redes varejistas autorizadas, notificou o Mercado Livre, enquanto a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) enviou um ofício à agência para apurar a atuação da plataforma. No pregão de 24 de setembro, as ações da Pague Menos caíram 8%, com pico acima de 10% durante o dia; a RD Saúde caiu 5,38% e a Panvel 4,9%. Após a notificação da Anvisa, a Pague Menos fechou em alta de 6,63%, a RD de 4,11% e a Panvel de 3,23%. Em setembro de 2025, o Mercado Livre adquiriu a farmácia Target, uma loja pequena em São Paulo, condição essencial para o comércio eletrônico, mas não divulgou planos de entrada no mercado de medicamentos de prescrição em toda a plataforma.
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