Tesouro Direto abre com taxas acima de 8% + IPCA e preços em queda de mais de 20%

O Tesouro Direto abriu nesta segunda-feira (26) na hora do almoço após permanecer a manhã inteira com as negociações suspensas em razão da alta volatilidade no mercado de juros futuros, em reação à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. Após a atualização dos preços e taxas dos títulos públicos, a plataforma de negociação do Tesouro Nacional exibiu taxas acima de 15% entre os prefixados e de 7,5% mais IPCA entre os papéis indexados à inflação. Na última sexta-feira (23), as taxas desses títulos fecharam abaixo de 13% e de 7%, respectivamente. A taxa histórica de 8% + IPCA inclusive voltou a aparecer no Tesouro IPCA+ 2032 e em alguns vencimentos do Tesouro Educa+, título voltado à poupança para a educação. Veja as taxas oferecidas pelo Tesouro Direto nesta segunda-feira Título públicoRetorno a.a.Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0992%Tesouro Prefixado 202915,40%Tesouro Prefixado 203215,78%Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203715,42%Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,10%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,94%Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,71%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,76%Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,64%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,66%Fonte: Tesouro Direto Quando os retornos dos títulos prefixados e indexados à inflação sobem, seus preços caem na marcação a mercado. Em diversos vencimentos, as perdas hoje chegam a mais de 10%, sendo que o Tesouro IPCA+ 2050 desaba mais de 20% de sexta para cá. Veja o desempenho dos títulos públicos prefixados e indexados à inflação nesta segunda Título públicoDesempenho em 26/10/2026Tesouro Prefixado 2029-4,83%Tesouro Prefixado 2032-12,16%Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037-12,33%Tesouro IPCA+ 2032-7,13%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037-8,37%Tesouro IPCA+ 2040-14,02%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045-11,42%Tesouro IPCA+ 2050-23,62%Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060-14,09%Fonte: Tesouro Direto Reação à vitória de Lula nas urnas A suspensão das negociações de títulos prefixados e indexados à inflação é praxe quando há forte volatilidade no mercado de juros futuros, no qual se baseiam as taxas oferecidas por esses papéis. Os contratos de DIs amanheceram hoje em forte alta, de mais de 20% nos vencimentos mais longos. O mercado passou a ver a taxa de juros de volta aos 15% no futuro, mesmo patamar em que estava a Selic no início do último ciclo de cortes. O mercado reage à reeleição do presidente Lula no último domingo (25), contrariando as expectativas de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que vinha como favorito. Flávio é visto pelos investidores como mais afeito a um ajuste fiscal e a medidas de responsabilidade fiscal, muito aguardadas pelo mercado para que o Brasil possa praticar juros mais baixos. Após o senador terminar o primeiro turno na frente na disputa presidencial, os juros futuros e o dólar caíram fortemente, e os ativos de risco brasileiros, como ações, títulos prefixados e indexados à inflação, dispararam. O movimento é revertido nesta segunda em todos os mercados, com a devolução dos ganhos recentes. Por dentro dos mercados Receba gratuitamente as newsletters do Money Times OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários. Tesouro Nacional cancelou leilões tradicionais de títulos públicos hoje O Tesouro Nacional anunciou mais cedo o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados à inflação e prefixados, previstos para terça-feira (27) e quinta-feira (29), respectivamente. Apesar disso, o Tesouro manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), papéis remunerados pela taxa Selic, previsto para terça-feira. Após os cancelamentos, o Tesouro anunciou um leilão extraordinário para recomprar até 15 milhões de títulos prefixados Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) com vencimentos em 2031, 2033 e 2037, com limite de 5 milhões de papéis por prazo. Na prática, o governo oferece uma saída aos investidores que querem vender seus papéis, ajudando a absorver a pressão sobre os preços. O desembolso dependerá das propostas aceitas. Em momentos de maior volatilidade, investidores podem exigir taxas mais elevadas para financiar o governo, aumentando o custo de emissão de novos títulos públicos. O cancelamento das ofertas permite ao Tesouro evitar a contratação de dívida prefixada ou indexada à inflação nas condições de mercado dessas datas.

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