Democratas criticam Trump por conceder visto a Flávio Bolsonaro nos EUA

Políticos democratas dos Estados Unidos criticaram a decisão do governo de Donald Trump de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares, após sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de domingo (25). O parlamentar, investigado no Brasil por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, deixou o país apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que entregasse seus passaportes. As críticas também se estenderam à possibilidade de Flávio receber asilo político nos EUA. Leia também: Principais jornais do mundo repercutem fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA Jatinho com Flávio Bolsonaro e família pousa em aeroporto de Miami Trump diz que aprovaria visto para Flávio, mas que não sabe ao certo paradeiro do senador Em publicação no X, os democratas da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados americana compararam o tratamento dispensado ao senador brasileiro à política migratória do governo Trump em relação a pessoas que fogem de conflitos armados do mundo todo. "Nada de asilo para quem foge da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não é motivo suficiente. Contestar resultados eleitorais, sim", afirmou o grupo, em referência ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. Initial plugin text O deputado democrata Joaquin Castro, do Texas, também questionou a possibilidade de Flávio obter asilo nos EUA. "Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo", escreveu na rede social Threads. Castro cobrou ainda explicações do governo Trump sobre um possível envolvimento na saída do senador do Brasil. "O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira", afirmou. Outro deputado democrata de Michigan, Shri Thanedar, criticou a possibilidade de o governo americano receber Flávio. "Depois de perder uma eleição, em vez de enfrentar as acusações pendentes de fraude e corrupção, Bolsonaro está fugindo do Brasil", escreveu. "O secretário de Estado Marco Rubio poderia barrar a entrada de Bolsonaro por considerá-lo um fugitivo internacional, mas duvido que tenha coragem para isso." Initial plugin text As críticas ocorrem a menos de uma semana das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro. Na votação, os americanos renovarão toda a Câmara dos Deputados e parte do Senado, em uma disputa que definirá o equilíbrio de forças no Congresso durante os dois últimos anos do mandato de Trump. Pesquisas recentes têm mostrado favoritismo entre os eleitores pelos democratas no pleito, o que poderia prejudicar a implementação da agenda de Trump nos dois anos finais de seu segundo mandato. Flávio Bolsonaro recebeu 48,21% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25), o equivalente a 59.826.041 votos, contra 51,79% de Lula, que obteve 64.256.232 votos. A diferença entre os dois candidatos foi de 4,4 milhões de votos. Na noite de domingo, após a divulgação do resultado, Flávio se recusou a reconhecer a derrota e anunciou que pediria a anulação do segundo turno. O senador questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou o horário de votação em duas horas, até as 19h, em todo o país. A medida ocorreu após pedidos de ampliação do período de votação apresentados pelas duas campanhas, embora com abrangências diferentes. Na segunda-feira (26), Flávio mudou de estratégia e anunciou que pretendia pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa de Lula, sob a alegação de abuso de poder político e econômico durante a campanha. Ele não apresentou provas na ocasião. No mesmo dia, o senador divulgou um vídeo em que afirmou nunca ter cogitado deixar o Brasil e classificou como uma tentativa de intimidação a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que entregasse seus passaportes e permanecesse no país. Pouco mais de 24 horas depois, porém, Flávio deixou o território brasileiro com a mulher e as duas filhas, atravessando a fronteira com a Argentina. O senador brasileiro Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami, na Flórida REUTERS/Eva Marie Uzcategui

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