Com vitória dos Democratas caminho do Brasil para retirar tarifas é mais fácil, diz Arko Internacional

A perda de força dos Republicanos no Congresso e no Senado americano pode abrir espaço para que as tarifas impostas ao Brasil nesta gestão do presidente americano, Donald Trump, possam ser mais questionadas. Essa foi a leitura feita pelo diretor-executivo da Arko International, Thiago Aragão, na conferência MBA Brasil, evento dedicado para brasileiros interessados em fazer programas de gestão no exterior. “Depois das 'midterms’, a mudança do Congresso americano faz com que o impacto da narrativa nos distritos seja maior do que era anteriormente. Isso significa que agora haverá mais pressão vinda por parte de deputados de determinados distritos que são impactados pela importação de produtos brasileiros”, explica Aragão. “A partir do momento que eles vão utilizar investigações, como do Jeffrey Epstein, para buscar concessões do Trump, vai ser mais fácil fazer com que as demandas brasileiras cheguem na Casa Branca por meio desses distritos. Então vejo um caminho mais fácil para tentar retirar as tarifas impostas contra as empresas brasileiras.” No fim do evento, a jornalistas, Aragão também disse que, após a derrota nas eleições brasileiras, o poder de barganha da família Bolsonaro caiu. “O que eles podem entregar ao Trump agora é pouco”, diz. “Toda lealdade de Trump é pro-ativa, tem que levar a algo. O que o Trump tinha com os Bolsonaro estava muito ancorado na possibilidade de vitória e, consequentemente, na satisfação de determinados objetivos que ele tinha na região, seja conceitual, com o principal país aliado aos americanos, seja prático, pelo acesso a minerais críticos.” Para Aragão, sem isso, os Bolsonaro ainda têm apoio, mas em uma escala mais baixa. No caso da forma de fazer negócios hoje, Aragão afirmou que as redes sociais têm moldado o comportamento das pessoas, deixando o tomador de decisão mais dramático. “Ou tudo vai ser um cataclisma ou um eldorado”, disse. “O investidor mais novo olha as mudanças e pensa que ou vai dar tudo certo ou que vai dar tudo errado. Só que o Brasil, por exemplo, funciona por acordos, e prever acordos é muito difícil. Então, em cima disso, há a necessidade de você conhecer os personagens, e por que eles tomam determinadas decisões. O investidor que olha isso desde o começo se destaca.” Para o executivo, aquele profissional que entende que não é o macro que vai ditar o seu sucesso, se sai bem. “Quem está pronto para se adaptar, não está preocupado com o macro. Só que as pessoas têm dificuldade de adaptação, porque adaptar significa abrir mão de certos valores. Por isso, hoje as empresas estão buscando alguém que, com eloquência, saiba navegar nos diferentes cenários; tem capacidade de se adaptar. Aquele que ganha muito dinheiro no Brasil é aquele que se adapta.” Bruno Menezes, diretor de novos negócios e comercialização da PRIO, fez um apontamento neste sentido, lembrando que a companhia, ao ter percebido no início da guerra na Ucrânia, em 2022, o potencial de crescimento diante de uma tensão geopolítica, preparou-se seu setor de vendas para o futuro. “Reestruturamos a nossa área, e agora quando veio a guerra no Irã, estávamos preparados. Você precisa entender o que ocorre no mundo, mas com o dever de casa bem feito, porque quando a oportunidade aparecer, você pode não conseguir aproveitar”, diz. *O jornalista foi a Chicago a convite do MBA Brasil

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