As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) registraram fortes altas, superando 2,5 pontos percentuais em alguns contratos, no dia 26/10/2026, após a eleição presidencial brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) por 51,79% dos votos válidos contra 48,21%, resultado que surpreendeu o mercado. A disparada dos prêmios na curva, que colocou as taxas acima dos patamares vistos antes do primeiro turno em 2 de outubro (quando o DI para janeiro de 2031 estava em 13,99%), refletiu um ajuste de posições e preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 14,8%, uma alta de 1,94 ponto percentual ante 12,859% da última sexta-feira. Já o DI para janeiro de 2031 encerrou em 15,185%, com elevação de 2,54 pontos percentuais ante 12,642%, e atingiu a máxima intradia de 15,940% (alta de 3,3 pontos percentuais) às 11h02 após paralisações. Em resposta ao cenário, a B3 anunciou a expansão dos limites de alta para os DIs. O Tesouro Nacional, por sua vez, cancelou leilões de títulos indexados à inflação e prefixados, mas manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), além de recomprar R$7,1 bilhões em títulos prefixados e R$7,7 bilhões em títulos indexados à inflação para suavizar o movimento das taxas. Ações de empresas europeias com exposição ao Brasil também caíram.
A definição do desfecho dependerá fundamentalmente das primeiras declarações e ações do novo governo eleito em relação à política fiscal. A composição da equipe econômica, com anúncios esperados nas próximas semanas, e a apresentação de um plano de gestão das contas públicas, que deverá ser detalhado antes da transição e formalizado no orçamento de 2027, serão cruciais para reverter ou consolidar a percepção de risco fiscal.
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