Juros e incertezas macroeconômicas reduzem ritmo de fusões e aquisições

O mercado de fusões e aquisições (M&A) no Brasil apresenta um cenário de maior seletividade no segundo semestre de 2026, conforme reportado pelo Valor Econômico. A principal causa é a combinação de juros ainda elevados, inflação acima do centro da meta, a transição da reforma tributária e a proximidade das eleições. Em setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atingindo 13,75% ao ano, mas os juros permanecem em patamar restritivo. Esta situação tende a influenciar negativamente as decisões de empresários, compradores e investidores, desacelerando o fluxo de negócios. Historicamente, períodos de alta inflação e instabilidade fiscal, como visto no Brasil entre 2014 e 2016, resultaram em quedas significativas no volume de M&A. O próximo gatilho para o mercado será a clareza sobre os resultados das eleições e o progresso da reforma tributária, com horizonte de médio prazo para 2027.

Análise

Nos próximos 3-6 meses (Q4 2026 - Q1 2027), o mercado de M&A no Brasil deve permanecer cauteloso e seletivo, com volumes abaixo da média histórica. Os principais gatilhos a serem monitorados são os próximos dados de inflação (IPCA) e a definição do cenário político pós-eleições. A consolidação de um ciclo de corte de juros mais robusto, que leve a Selic para a casa dos 11-12% no final de 2026, seria essencial para uma retomada mais significativa, mas parece improvável no curto prazo, mantendo a pressão sobre ativos de risco e empresas alavancadas.

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