Ibovespa hoje: Governo faz pausa no ajuste fiscal, payroll e resultado das midterms nos EUA seguem no radar do mercado;

Lá fora, depois de bilhões investidos em inteligência artificial, os investidores começam a revisar suas estimativas. Após as eleições para o Congresso americano, o Nasdaq retornou ao patamar de 24,3 mil pontos, acumulando queda de quase 12% desde a máxima de outubro. No Brasil, a aversão ao risco permaneceu presente, com nova queda do Ibovespa. O fiscal segue no centro das atenções, em meio a novas sinalizações e especulações vindas do Planalto. A lei do retorno parece estar funcionando dos dois lados do equador. Nesta manhã, ainda teremos mais uma peça importante desse quebra-cabeça: o relatório de emprego americano. Vamos aos detalhes. 00:25 – Tudo que vai, volta A pressão sobre as empresas ligadas à inteligência artificial ganhou força novamente nesta quinta-feira. O Nasdaq caiu 5,5%, sua maior queda diária desde abril de 2025, e encerrou a sessão aos 24.315 pontos, quase 12% abaixo da máxima histórica registrada em 6 de outubro. Somente ontem, cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado foram apagados do índice. A vitória dos democratas nas duas casas do Congresso aumentou a percepção de que novos projetos de data centers podem enfrentar maior escrutínio regulatório, especialmente em temas como consumo de energia, água e impacto sobre as comunidades locais. Estimativas do Goldman Sachs indicam que regiões onde novas restrições podem surgir representam cerca de 45% da capacidade planejada de data centers nos Estados Unidos. O pano de fundo continua sendo conhecido. Depois de anos em que o crescimento da inteligência artificial foi suficiente para sustentar múltiplos elevados, os investidores passaram a questionar quanto capital será necessário para financiar data centers, chips e infraestrutura — e, principalmente, quanto tempo levará para esses investimentos gerarem retorno. Nesta manhã, os futuros do Nasdaq ensaiam uma recuperação após o tombo de ontem, com algumas das empresas de semicondutores recuperando parte das perdas. 01:35 – Hoje é dia de payroll Depois da volatilidade nas ações, os juros americanos terão seu próprio teste nesta manhã. O relatório de emprego de outubro será divulgado às 10h30, no horário de Brasília. O consenso da Reuters aponta para criação de aproximadamente 65 mil vagas, depois de apenas 29 mil em setembro, enquanto a taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%. A expectativa é de desaceleração do crescimento anual dos salários para 2,9%, menor nível desde 2021. Os dados mais recentes não apontam para uma deterioração significativa do mercado de trabalho. Os pedidos semanais de seguro-desemprego caíram para 189 mil, igualando o menor nível desde 1969, enquanto a relação entre vagas abertas e desempregados aumentou de 1,02 para 1,06 em setembro. 02:40 – O ajuste fiscal pode esperar? Após reunião com ministros e conselheiros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ontem que o governo continuará elaborando propostas para melhorar as contas públicas. No entanto, novas medidas devem ser avaliadas pelo presidente Lula após seu retorno das viagens à Turquia e às Filipinas, previsto para 15 de novembro. Até lá, o governo continuará discutindo alternativas internamente. Para o mercado, o problema não é apenas o prazo. Depois da forte reprecificação dos ativos brasileiros desde o segundo turno, investidores esperam mais clareza sobre a trajetória das despesas, a meta fiscal e a estabilização da dívida pública. A ausência de medidas concretas prolonga justamente a incerteza que levou o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora nesta semana. O Ibovespa caiu 0,82% ontem, aos 166.191 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,49. O ambiente externo contribuiu para o movimento, mas o debate fiscal permanece como um dos principais fatores de pressão sobre o prêmio de risco doméstico. A preocupação não é trivial. Quebrar essa dinâmica provavelmente será um dos principais desafios da nova equipe econômica. 04:15 – O petróleo finalmente tirou o pé Nem todas as notícias da semana foram negativas para a inflação. Depois de passar semanas acima de US$ 110 por barril, o Brent devolveu boa parte do prêmio geopolítico. Nesta manhã, o contrato para janeiro negociava próximo de US$ 97,50, acumulando queda de aproximadamente 16% na semana — a maior desde o início da pandemia. A mudança ganhou força depois das eleições legislativas americanas, com investidores atribuindo maior probabilidade a uma redução das tensões no Oriente Médio e a avanços nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento é relevante justamente porque o choque de energia tem sido um dos principais obstáculos para os bancos centrais. Ainda existe bastante risco. Os estoques globais foram significativamente reduzidos desde a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz — perto de 1 bilhão de barris foram retirados dos estoques ao longo do conflito —, enquanto os ataques a navios na região seguem em níveis elevados. Mas, pela primeira vez em algumas semanas, temos um respiro nesta linha. 05:00 – Outro veículo de geração de renda Em um ambiente de juros reais elevados, seguimos encontrando oportunidades interessantes em fundos de infraestrutura que conseguem combinar qualidade de crédito com taxas atrativas. É o caso do BODB11, da Bocaina. Em nossa última conversa com a gestão, a leitura sobre o risco da carteira permaneceu favorável diante do contexto. Até setembro, 92,9% do patrimônio estava alocado em ativos com rating A− ou superior, uma característica importante em um mercado que continua convivendo com eventos de crédito. A especialização da gestora em infraestrutura também ajuda. A Bocaina possui cerca de R$ 3 bilhões sob gestão e uma equipe de 11 profissionais, com originação própria representando entre 30% e 40% da carteira. Segundo a gestão, essas operações podem adicionar entre 150 e 250 pontos-base de spread em relação a créditos de risco comparável. Com prazo médio de aproximadamente 5,7 anos, o fundo permanece bastante sensível às oscilações das taxas reais de juros. Por outro lado, essa mesma característica aumenta o potencial de valorização das cotas em um eventual fechamento da curva. A preços de mercado, estimamos uma TIR líquida próxima de IPCA + 11,3%, patamar que consideramos atrativo diante da qualidade média do portfólio. Além disso, os níveis atuais de juros e spreads vêm criando novas oportunidades tanto na originação quanto no mercado secundário. A cotação encerrou ontem em torno de R$ 7,20, aproximadamente 10% abaixo da cota patrimonial de R$ 8,00 reportada em setembro. Nos últimos 12 meses, o fundo distribuiu R$ 1,14 por cota, equivalente a um dividend yield próximo de 15,8% sobre o preço atual. Em resumo, vemos no BODB11 uma combinação interessante entre carrego elevado, qualidade de crédito e potencial de ganho de capital em um eventual cenário de normalização dos juros reais — ainda que com volatilidade relevante no curto prazo. O post Ibovespa hoje: Governo faz pausa no ajuste fiscal, payroll e resultado das midterms nos EUA seguem no radar do mercado; veja destaques desta sexta (6) apareceu primeiro em Empiricus.

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