Congresso inicia debate sobre abertura de impeachment do presidente do Paraguai

O Congresso do Paraguai iniciou nesta quinta-feira (5) a discussão de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña, em meio à crise desencadeada pela intervenção na instituição financeira digital Ueno e seu posterior colapso, que impediu clientes de terem acesso a seus recursos. Leia também: Oposição protocola pedido de impeachment contra presidente do Paraguai por crise no banco Ueno A quebra da empresa, da qual o mandatário paraguaio foi acionista até o ano passado, desencadeou protestos entre a população e parlamentares e pedidos de renúncia, além de acusações de conflitos de interesses e uso indevido de recursos de fundos de pensão. É necessária uma maioria de dois terços dos congressistas participantes da sessão para dar início ao processo de impeachment. A iniciativa ganhou força na manhã desta quinta-feira, quando o presidente do Congresso, Basilio Núñez, e o líder do Partido Colorado, Horacio Cartes, retiraram seu apoio a Peña, deixando o presidente cada vez mais isolado antes da votação. Na noite de quarta-feira, o Congresso paraguaio convocou uma sessão extraordinária para debater o futuro de Peña, depois que 35 parlamentares apresentaram acusações para fundamentar o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, composta por 80 integrantes. A crise levou à prisão de oito executivos e dirigentes do Ueno, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o presidente-executivo, Federico Miguel Vázquez, que até recentemente era sócio comercial de Santiago Peña e também comanda o Grupo Vázquez, controlador do banco. Sob o aumento da pressão, Peña cancelou na quarta-feira uma viagem à Espanha, onde participaria da Cúpula Ibero-Americana, e anunciou mudanças na direção do Banco Central. Economista conservador que chegou à Presidência em 2023, Santiago Peña manteve até março de 2025 uma participação acionária no grupo controlador da Ueno. A instituição financeira tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do Paraguai (IPS). Um homem passa diante de bandeiras do Paraguai enquanto parlamentares da oposição se reúnem em sessão extraordinária para avaliar a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña Cesar Olmedo/Reuters

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