Rivais de Netanyahu aproveitam vitória democrata nos EUA para tentar tirá-lo do poder

Os adversários políticos de Benjamin Netanyahu aproveitaram a vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos para intensificar a pressão por sua saída do poder, acusando o primeiro-ministro israelense de comprometer o apoio bipartidário que Israel construiu ao longo de décadas em Washington. Os democratas conquistaram a maioria tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados nas eleições legislativas de terça-feira, em uma contundente rejeição ao presidente Donald Trump, impulsionada em parte pela profunda insatisfação com a impopular guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. A votação americana ocorreu apenas uma semana depois de uma eleição em Israel, na qual a coalizão de direita de Netanyahu perdeu sua maioria parlamentar, mas teve um desempenho suficientemente bom para impedir que seu principal adversário, Gadi Eisenkot, tivesse um caminho claro para tirá-lo do poder. O presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá realizar consultas nesta quarta e quinta-feira com representantes dos partidos antes de encarregar um dos dois políticos de formar o próximo governo. Enquanto isso, Netanyahu permanece como primeiro-ministro interino. Apoio dos EUA a aliado histórico enfraquece Os EUA têm sido o aliado mais firme de Israel há gerações, sob presidentes de ambos os partidos, fornecendo bilhões de dólares anuais em ajuda militar desde a década de 1970. Mas, diferentemente de líderes anteriores, que cultivavam cuidadosamente relações tanto com democratas quanto com republicanos, Netanyahu apoiou abertamente os republicanos. O apoio a Israel entre democratas e alguns republicanos enfraqueceu depois que o país lançou sua ofensiva militar em Gaza, após o ataque do Hamas em 2023, e caiu ainda mais neste ano, desde que Trump e Netanyahu ordenaram um ataque conjunto contra o Irã. Alguns candidatos democratas fizeram das críticas à ajuda militar americana a Israel um argumento de destaque em suas campanhas. Na terça-feira, Trump, que havia declarado apoio a Netanyahu, prometeu, no dia da eleição, interromper o financiamento anual de US$ 4 bilhões a Israel, medida que, segundo ele, eliminaria um "argumento ruim" usado pelos democratas. Yair Golan, líder do partido de oposição de centro-esquerda Democratas, de Israel, afirmou na rede social X que os resultados das eleições legislativas americanas "revelam o quanto Netanyahu é tóxico tanto entre democratas quanto entre republicanos". O líder centrista da oposição, Yair Lapid, afirmou que os resultados mostraram que "Israel não pode se dar ao luxo" de manter Netanyahu no cargo. "Isso coloca nossa segurança em risco, ameaça nossa democracia e arruinará nossa posição no cenário mundial", afirmou Lapid em uma publicação nas redes sociais. Netanyahu permaneceu em silêncio até agora sobre o resultado da votação nos Estados Unidos. Seu gabinete não respondeu a um pedido de comentário. Pode levar semanas ou meses até ficar claro se será Netanyahu ou Eisenkot quem acabará enfrentando a tarefa de reconstruir a relação. O candidato escolhido primeiro terá de formar uma nova coalizão; caso contrário, o outro terá uma oportunidade. Se ambos os candidatos a premiê fracassarem, uma nova eleição será convocada. Enquanto isso, Udi Sommer, professor de ciência política da Universidade de Tel Aviv, previu que o novo Congresso americano, controlado pelos democratas, será o mais hostil a Israel de sua história. Embora a maior parte do poder sobre a política externa continue nas mãos do presidente, os democratas poderão exercer pressão por meio de audiências, fiscalização parlamentar e medidas orçamentárias, afirmou. "A vitória esmagadora dos democratas e a derrota devastadora dos republicanos sintetizam o próximo capítulo das relações entre Estados Unidos e Israel", disse Sommer. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no Knesset, no dia do discurso de Trump , em meio a um acordo de troca de prisioneiros e reféns e cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e o Hamas, em Jerusalém, 13 de outubro de 2025 REUTERS/Evelyn Hockstein/Pool/Foto de Arquivo

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