El Niño se aproxima do pico e novembro terá risco de ciclones, enchentes e calor intenso

Imagem gerada por IA para o Canal Rural O fenômeno El Niño continua ganhando força e deve atingir seu pico em dezembro de 2026. Considerado muito forte, o evento climático deve provocar chuvas acima da média no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste durante novembro, enquanto regiões do Norte e do Nordeste terão temperaturas elevadas e precipitações irregulares. Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News! Segundo a Climatempo, as condições observadas no Oceano Pacífico indicam que o fenômeno segue em intensificação. A última análise da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta que este episódio pode se tornar o mais intenso desde o início dos registros de monitoramento, na década de 1950. Além do excesso de chuva em algumas regiões, a previsão para novembro indica possibilidade de formação de ciclones extratropicais, avanço de frentes frias intensas e até episódios de geada tardia no Sul do país. A combinação desses sistemas também aumenta o risco de transbordamento de rios, alagamentos e deslizamentos de terra, especialmente em áreas que já acumulam volumes elevados de chuva desde julho. Sul terá chuva acima da média e risco de enchentes A Região Sul deve continuar entre as mais afetadas pelo excesso de precipitações em novembro. De acordo com a Climatempo, os maiores volumes acima da média são esperados no norte e noroeste do Rio Grande do Sul, no centro e oeste de Santa Catarina e nas regiões oeste, sul e central do Paraná. A previsão preocupa porque os três estados já registraram acumulados elevados de chuva nos últimos meses. Com os rios apresentando níveis acima do normal e o solo encharcado, novos episódios de precipitação intensa podem provocar transbordamentos e deslizamentos. Outro fator de atenção é a possibilidade de formação de ciclones extratropicais e frentes frias entre o Sul do Brasil e o Paraguai. A Climatempo também não descarta a ocorrência de pelo menos uma frente fria de forte intensidade, capaz de provocar queda acentuada nas temperaturas. Nas áreas mais elevadas do Sul e na fronteira com o Uruguai, existe possibilidade de geada tardia. Sudeste e Centro-Oeste podem ter temporais e chuva persistente No Sudeste, a previsão indica chuva acima da média em São Paulo, em grande parte de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Em São Paulo, o excesso de precipitações observado nos últimos meses aumenta a preocupação com o transbordamento de rios e córregos. No Centro-Oeste, a tendência é de volumes acima da média em quase todo Mato Grosso do Sul e em áreas do sul e sudeste de Goiás. Por outro lado, Mato Grosso, grande parte de Goiás e o Distrito Federal devem registrar acumulados ligeiramente abaixo do padrão climatológico, apesar da ocorrência de pancadas de chuva ao longo do mês. A Climatempo ressalta que volumes abaixo da média não significam ausência de precipitações. Em novembro, as médias históricas de chuva em diversas áreas do Centro-Oeste e do Norte já superam 200 milímetros. Dessa forma, mesmo com pancadas frequentes, os acumulados podem ficar inferiores aos valores normalmente esperados. El Niño pode favorecer formação de ZCAS já no início de novembro Uma das principais condições monitoradas pela Climatempo é a possibilidade de formação de um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) até o dia 10 de novembro. O fenômeno é caracterizado pela organização de um extenso corredor de umidade sobre o interior do Brasil, responsável por provocar vários dias consecutivos de chuva persistente e volumosa. A ZCAS costuma atingir principalmente áreas do Norte, Centro-Oeste e Sudeste, mas, dependendo de sua posição, também pode levar precipitações intensas para a Bahia e o Paraná. Embora seja mais comum durante o verão, o sistema também pode se desenvolver na segunda metade da primavera. O fortalecimento do El Niño favorece mudanças na circulação atmosférica, incluindo o aumento do transporte de ar quente e úmido da Amazônia em direção ao centro-sul do Brasil. Além disso, o contraste entre as águas mais frias do Atlântico na costa da Região Sul e as temperaturas mais elevadas do oceano próximo ao Sudeste pode favorecer a formação de áreas de baixa pressão e a manutenção de frentes frias próximas ao litoral. Norte e Nordeste terão chuva irregular e calor acima do normal Enquanto parte do centro-sul do Brasil enfrenta risco de excesso de chuva, a tendência para o Norte e o Nordeste é de precipitações abaixo da média em novembro. No Norte, os menores acumulados em relação ao padrão histórico são esperados em grande parte dos estados, embora as pancadas de chuva continuem ocorrendo durante o mês. No Nordeste, a irregularidade das precipitações deve atingir principalmente a Bahia e o centro-sul do Maranhão e do Piauí. A Climatempo também prevê a possibilidade de avanço de frentes frias até a Bahia, situação menos comum nesta época do ano. As temperaturas devem permanecer elevadas, especialmente no interior nordestino e em áreas do Pará. Segundo a empresa, todas as capitais do Norte e do Nordeste devem registrar vários dias com temperaturas acima da média durante novembro. Em áreas do interior do Nordeste, Tocantins, Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e norte de Minas Gerais, temperaturas próximas dos 40 °C são comuns nesta época do ano. Novembro terá calor e frio fora de época Apesar do fortalecimento do El Niño, novembro não deve ser marcado apenas por temperaturas elevadas. O excesso de nebulosidade, a frequência das chuvas e a possibilidade de entrada de massas de ar polar devem manter as temperaturas médias próximas ou abaixo do normal em grande parte do Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste. Essa condição é esperada especialmente em São Paulo, no Triângulo Mineiro, no Sul de Minas, no sul do Rio de Janeiro, no centro-sul e leste de Mato Grosso do Sul e no sul e sudeste de Goiás. Mesmo assim, o Sul e o Sudeste devem registrar períodos mais quentes do que em outubro. A Climatempo considera baixa a probabilidade de ondas de calor nessas regiões durante novembro. Já no centro e norte de Mato Grosso, no norte de Goiás e em praticamente toda a extensão do Norte e do Nordeste, as temperaturas médias devem ficar acima do normal. Excesso de nuvens e chuva pode prejudicar atividades agrícolas Além dos riscos associados aos temporais, a previsão para novembro traz um alerta para o agronegócio. De acordo com a Climatempo, a continuidade de períodos prolongados de nebulosidade e chuva deve reduzir a incidência de radiação solar em áreas do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Sul de Minas Gerais e Rio de Janeiro. A menor disponibilidade de luz solar pode prejudicar o desenvolvimento das culturas agrícolas, especialmente nas regiões que já enfrentam vários meses de precipitações frequentes. No Norte e no Nordeste, por outro lado, o calor acima da média e a irregularidade das chuvas exigem atenção às condições de umidade do solo. Com o El Niño próximo de atingir sua intensidade máxima, a tendência é de manutenção de contrastes climáticos importantes entre as regiões brasileiras ao longo de novembro. O post El Niño se aproxima do pico e novembro terá risco de ciclones, enchentes e calor intenso apareceu primeiro em Canal Rural.

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