O prazo para as empresas de criptomoedas solicitarem autorização ao Banco Central termina às 23h59 desta sexta-feira (30), marcando uma das etapas mais importantes da nova regulação do setor no Brasil. Na reta final, grandes exchanges, bancos e empresas especializadas em stablecoins e tokenização correram para apresentar seus pedidos, enquanto outras companhias decidiram encerrar ou reduzir suas operações no país. Um levantamento da Cainvest, empresa que desenvolveu um monitor para acompanhar os processos de autorização, apontava mais de 50 instituições envolvidas em pedidos, comunicações regulatórias e outras movimentações relacionadas ao novo regime até quinta-feira (29). O número ainda pode aumentar ao longo desta sexta-feira, último dia para as empresas que já atuavam no mercado brasileiro solicitarem a licença. Entre as companhias que anunciaram pedidos de autorização estão Mercado Bitcoin, Binance, Coinbase, Bybit, OKX, Foxbit e Ripio. A lista também inclui empresas que atuam principalmente no mercado institucional, como Ripple, Transfero, Liqi, Lumx e Avenia. Bancos como Itaú, Bradesco, Inter e Nubank também avançaram na formalização de suas atividades com ativos digitais, embora instituições financeiras já autorizadas sigam um procedimento regulatório diferente. A movimentação representa uma mudança importante na estrutura do mercado brasileiro de criptomoedas. Desde 2 de fevereiro de 2026, as empresas que oferecem serviços de intermediação e custódia de ativos virtuais passaram a ser submetidas às regras das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs), estabelecidas principalmente pelas Resoluções BCB nº 519 e 520. Leia também: Como saber se uma empresa pediu licença cripto ao Banco Central? Veja onde consultar Para as companhias que já operavam antes da entrada em vigor das normas, o Banco Central estabeleceu um período de transição de 270 dias, que termina hoje, 30 de outubro. A apresentação do pedido, entretanto, não significa que a licença já tenha sido concedida. As empresas que protocolarem a documentação dentro do prazo poderão continuar oferecendo os serviços abrangidos por seus pedidos enquanto aguardam a decisão do BC, conforme as regras de transição. Quais empresas já pediram autorização ao Banco Central? A relação de empresas que solicitaram autorização cresceu significativamente nas últimas semanas de outubro. Até o fim de setembro, a base pública de processos do Banco Central identificava apenas sete solicitações em andamento: Transfero, Mazzera, PFPay, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange. Outras companhias anunciaram seus pedidos ao longo de outubro, principalmente na última semana do prazo. O avanço inclui não apenas corretoras tradicionais, mas também empresas de infraestrutura financeira que utilizam stablecoins para pagamentos internacionais, operações de câmbio, tokenização e prestação de serviços para outras instituições. A tabela abaixo reúne 56 empresas com processos de autorização identificados, pedidos anunciados publicamente ou protocolos reportados por levantamentos especializados até a tarde de 30 de outubro, incluindo a Higherway Tech, que já teve o pedido indeferido. As informações foram compiladas a partir do monitor da Cainvest, dos registros públicos do Banco Central e de comunicados e reportagens sobre as solicitações. A relação será atualizada conforme novos pedidos forem anunciados até a versão final após o fim do prazo. No caso de bancos, como Itaú, Bradesco, Nubank, Banco Inter e Braza Bank, o que foi feito foi uma formalização seus serviços com criptomoedas. Como já são instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, elas podem seguir um procedimento de comunicação regulatória, distinto do pedido de licença exigido das novas SPSAVs. Vale ressaltar que o Banco Central ainda não disponibilizou uma relação pública consolidada de todos os pedidos apresentados neste mês, e a base de processos divulgada anteriormente não reflete necessariamente os protocolos mais recentes. Quais empresas decidiram não pedir licença e estão saindo do mercado? Enquanto parte das empresas correu para cumprir o prazo, outras optaram por encerrar suas atividades ou modificar o modelo de negócios no Brasil. A Coinext foi uma das companhias que anunciaram o encerramento de sua atuação como exchange. A empresa afirmou que não conseguiu atender às exigências mínimas de capital estabelecidas pelo Banco Central e que não considerava economicamente viável realizar os investimentos necessários para continuar operando como corretora. A Digitra também anunciou que não apresentaria o pedido e decidiu encerrar suas atividades de negociação e custódia de criptomoedas no país. Leia também: O que acontece com as exchanges que não pedirem licença ao Banco Central até 30 de outubro? A NovaDAX, por sua vez, iniciou o encerramento de suas operações ainda em julho. Já a Bity anunciou uma parceria com o Mercado Bitcoin para a migração de seus clientes, deixando de atuar no segmento de corretagem como anteriormente. Entre as plataformas estrangeiras, a Bitso decidiu encerrar o atendimento direto aos investidores de varejo brasileiros e também firmou uma parceria com o Mercado Bitcoin para facilitar a transferência dos usuários. A companhia, entretanto, mantém o foco em serviços voltados a empresas. Outras empresas seguiram caminhos semelhantes. A Lemon anunciou sua saída do Brasil, enquanto a Revolut interrompeu a oferta de compra e venda de criptomoedas para clientes brasileiros. A Bitnuvem também anunciou o encerramento de suas operações em meio às mudanças regulatórias. Nem todas as mudanças operacionais, porém, significam uma saída completa do mercado brasileiro ou a decisão de não solicitar autorização. A Crypto.com, por exemplo, encerrou sua conta em reais, mas manteve disponíveis determinados serviços com criptomoedas. A Ripio também realizou mudanças na forma de manter saldos em moeda brasileira, mas confirmou que pediu licença ao Banco Central e continuará atendendo clientes no país. O que acontece depois do prazo de 30 de outubro? Para as empresas que apresentarem a solicitação dentro do prazo, o encerramento do período de transição não significa a obtenção automática da licença. O Banco Central ainda precisará analisar a documentação apresentada e avaliar se cada companhia atende às exigências regulatórias. O processo envolve requisitos de capital mínimo, estrutura societária, governança, controles internos, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança cibernética e gestão dos riscos associados aos ativos dos clientes. Uma das principais mudanças está no custo de funcionamento das empresas. Conforme levantamento realizado pelo Portal do Bitcoin, o capital mínimo exigido pode variar de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, dependendo das atividades e do perfil operacional da companhia. Esses valores não incluem as despesas permanentes com funcionários, tecnologia, auditoria e outras obrigações regulatórias. Esse cenário pode favorecer empresas de maior porte e instituições financeiras que já possuem estruturas semelhantes, ao mesmo tempo que estimula movimentos de consolidação, parcerias e encerramentos entre operadores menores. Já as companhias que estavam sujeitas ao novo regime e não apresentarem os pedidos dentro do prazo terão até 30 dias para encerrar a prestação dos serviços regulados. A exigência está prevista no artigo 88 da Resolução BCB nº 520. Outra data relevante é 6 de novembro de 2026, quando entram em vigor restrições adicionais para operações de instituições autorizadas pelo Banco Central com prestadores de serviços de ativos virtuais que não estejam autorizados, ressalvadas as exceções previstas na regulamentação. A mudança foi estabelecida pela Resolução BCB nº 589. Além dos processos de autorização em andamento, o BC já registrou uma negativa. Em agosto, a autarquia indeferiu o pedido da Higherway Tech Soluções, conhecida como Higher Global Payments, em decisão publicada no Diário Oficial da União em setembro. Com o encerramento do prazo de 30 de outubro, o mercado brasileiro de criptomoedas entra, portanto, em uma nova etapa. Mais do que identificar quais empresas decidiram continuar no país, os próximos meses mostrarão quantas conseguirão atender efetivamente às exigências estabelecidas pelo Banco Central e obter a autorização definitiva para funcionar. Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta. O post Regulação cripto: veja todas as empresas que pediram licença ao Banco Central apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.
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