UE avalia Canadá como possível ‘membro associado’, diz von der Leyen

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta quinta-feira que União Europeia e Canadá continuam a explorar a possibilidade de o país se tornar o primeiro “membro associado” do bloco — um termo tão divisivo que nem consta do esboço de declaração conjunta. UE e Canadá planejam aprofundar a cooperação em inteligência artificial, clima, energia e segurança, disse von der Leyen em discurso durante cúpula UE-Canadá em Montreal. Leia também: Japão pressiona Alemanha por inclusão em subsídios da União Europeia a veículos elétricos Comissão Europeia propõe ampliar poderes da agência de fronteiras da UE México e EUA avaliam acordo comercial antes das eleições americanas O termo “membro associado”, a que Alemanha e outros membros da UE se opõem, não tem significado jurídico no âmbito do bloco. “Nossa ideia é simples: é uma associação sem adesão”, disse a presidente da Comissão Europeia. “Podemos construir uma parceria que se aproxime de uma adesão mais do que em qualquer ocasião anterior”, acrescentou. “Podemos trabalhar sobre tudo: de IA a clima, energia ou segurança.” Contudo, na declaração conjunta da reunião de cúpula, não consta o termo “membro associado” — em lugar da expressão, há uma referência a uma “associação sempre mais próxima”, conforme esboço visto pela Reuters. A declaração conjunta deve ser divulgada amanhã, e deve afirmar também que o trabalho para redefinir a relação entre Canadá e União Europeia prosseguirá até a próxima reunião de cúpula, no próximo ano. Laços mais profundos com o bloco europeu são parte da estratégia do primeiro-ministro Mark Carney para reduzir a dependência econômica do Canadá na relação com os Estados Unidos, após o governo Trump ter imposto, este ano, uma série de tarifas comerciais sobre as exportações do país vizinho. Sob condição de anonimato, três diplomatas europeus disseram ter ficado surpresos com a manutenção do uso da expressão “membro associado” por von der Leyen, na medida em que se decidiu não incluir o termo na declaração conjunta da cúpula de Montreal. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a ideia de que o Canadá se torne um membro associado é “audaciosa”, mas que compartilha da ambição de von der Leyen na questão. Versão preliminar da declaração conjunta se referia ao Canadá, ao menos por duas vezes no texto, como membro associado — e incluía o reconhecimento de que a definição do termo consumiria um ano de negociação. Para Carney, o termo é irrelevante para a redefinição da relação entre Canadá e UE. “Esta nova aliança não é um exercício de marketing. O nome não importa”, disse o primeiro-ministro canadense a repórteres.

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