O período subsequente ao primeiro turno das eleições, em 5 de outubro, até a reta final da campanha para o segundo turno, em 23/10/2026, foi marcado por uma significativa reprecificação dos ativos brasileiros. A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno gerou um rali na Bolsa, câmbio e juros, com o mercado antecipando uma política econômica mais favorável e maior compromisso fiscal. No primeiro pregão após a votação, o Ibovespa avançou 7,7%, superando 200 mil pontos, e o dólar recuou mais de 4% em relação ao real, enquanto a curva de juros futuros apresentou forte fechamento. Bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao mercado de capitais registraram os maiores ganhos. Entre os ativos que se destacaram, a B3 (B3SA3), XP (XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11) tiveram valorizações superiores a 20%. Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) apresentaram ganhos acima de 10%. A leitura do mercado foi de que uma possível mudança na gestão poderia diminuir o prêmio de risco dos ativos brasileiros e aumentar as perspectivas de consolidação fiscal. Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3), Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3) foram beneficiadas pela queda dos juros futuros, por serem sensíveis ao custo de capital. Bancos e estrategistas, como o Goldman Sachs, apontaram que o principal fator para a alta foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo, explicando cerca de 85% da valorização do Ibovespa. O Goldman Sachs mantém uma projeção-base de 215 mil pontos para o Ibovespa, com potencial para 225 mil pontos em caso de maior disciplina fiscal. O UBS Wealth Management também elevou sua exposição a ações brasileiras, projetando um potencial adicional de cerca de 25% para a Bolsa, com setores como financeiro, construção civil, utilities e small caps como potenciais beneficiários. No entanto, com a proximidade do segundo turno e pesquisas indicando uma disputa mais acirrada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a semana seguinte trouxe uma acomodação nos ativos e realização de parte dos ganhos acumulados.
A definição do desfecho eleitoral no segundo turno é o principal evento que moldará o comportamento futuro do mercado. Além disso, as primeiras sinalizações e ações do governo eleito em relação à disciplina fiscal e à política econômica serão cruciais para confirmar ou desmentir as expectativas de fechamento dos juros reais e redução do prêmio de risco, com os próximos dados econômicos, incluindo a decisão da Selic em 4 de novembro e o IPCA em 12 de novembro, servindo de balizadores.
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