Duas pessoas morreram e oito ficaram feridas em um ataque ao Aeroporto Internacional Rei Fahd, na cidade de Dammam, importante polo petrolífero no leste da Arábia Saudita, na noite de quarta-feira, informou nesta quinta-feira (22) a Autoridade Geral de Aviação Civil saudita. Leia também: EUA decidem reduzir funcionários em Riad ante possibilidade de ataques Ataque a campo de petróleo na Arábia Saudita deixa dois mortos; operações não são afetadas FT: Netanyahu planejou retomar ataques contra o Irã no início de outubro As autoridades sauditas não informaram quem estava por trás do ataque, mas os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, haviam alertado as companhias aéreas neste mês para que evitassem utilizar o espaço aéreo saudita, à medida que intensificavam os ataques contra o reino, maior exportador de petróleo do mundo. Os mortos eram um cidadão saudita e um indiano, informou a autoridade. Os feridos sofreram lesões que variam de leves a graves. As operações do aeroporto foram retomadas e o tráfego aéreo voltou ao normal, segundo a autoridade. Em meio à escalada dos ataques contra a infraestrutura saudita, a gigante petrolífera Saudi Aramco também orientou seus funcionários a deixar a sede da empresa em Dhahran e trabalhar remotamente, disseram nesta quinta-feira seis pessoas com conhecimento do assunto. A Aramco não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Foi a primeira vez que a empresa determinou a retirada de funcionários de sua sede desde o início da guerra contra o Irã. Sede da petrolífera estatal Saudi Aramco, em Dhahran Pleiades Neo © Airbus DS 2026/Divulgação via REUTERS O edifício já havia sofrido danos extensos no início deste mês, quando foi atingido por um ataque dos houthis que provocou um incêndio em vários andares. A sede abriga um centro de operações responsável por ajudar a companhia a supervisionar plataformas de petróleo terrestres e marítimas, refinarias, terminais de exportação e milhares de quilômetros de oleodutos. A infraestrutura petrolífera saudita também foi alvo de outra ofensiva na quarta-feira. Duas pessoas morreram depois que as defesas aéreas do país interceptaram um drone que tentava atingir uma instalação no campo de petróleo de Shaybah, operado pela Aramco. Os episódios fazem parte de uma intensificação dos confrontos entre os houthis e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita nas últimas semanas, abrindo mais uma frente na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Além das instalações petrolíferas, o grupo iemenita tem atacado repetidamente aeroportos sauditas, incluindo o aeroporto internacional de Riad. Em resposta, a Arábia Saudita lançou uma série de bombardeios contra locais de lançamento de mísseis utilizados pelos houthis. O governo saudita prometeu proteger o território nacional e afirma ter interceptado diversos mísseis balísticos disparados pelo grupo. A escalada de tensões, inclusive, levou o Departamento de Estado dos EUA a ordenar na quarta-feira que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e retirassem familiares de funcionários de várias outras missões americanas na região, disseram autoridades dos EUA à Reuters. Washington, que é o principal aliado da Arábia Saudita e seu tradicional garantidor de segurança, rejeitou até agora as tentativas sauditas de envolvê-lo diretamente na guerra contra os houthis. A Casa Branca havia enviado novamente parte de seu pessoal diplomático à região nos últimos meses, depois que muitos funcionários foram retirados quando Teerã lançou ataques contra instalações americanas, após o início da guerra contra o Irã, no fim de fevereiro. Instalação de processamento de petróleo da Saudi Aramco, no campo petrolífero de Shaybah, na Arábia Saudita, Simon Dawson/Bloomberg
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