O governo brasileiro avançou na agenda fiscal ao apoiar o plano do ministro Fernando Haddad, mas, segundo o economista-chefe Felipe Salto, ainda falta aprofundar o ajuste pelo lado das despesas para estabilizar a dívida pública. Salto defende que o próximo presidente preserve a estrutura do arcabouço fiscal e torne o limite de gastos mais restritivo, aprovando medidas que contenham o déficit. A consolidação fiscal reduz a necessidade de emissão de títulos soberanos, comprimindo a oferta de dívida e baixando os spreads de crédito. Essa dinâmica beneficia bancos ao reduzir o custo de captação e melhorar a percepção de risco soberano, mas penaliza setores dependentes de investimentos públicos, como construção civil, que enfrentam menor demanda. Um real potencialmente mais forte, decorrente da confiança renovada, pode ainda pressionar exportadores de commodities, como a mineração. O desfecho dependerá da aprovação no Congresso de um limite de gastos mais rigoroso e da continuidade das reformas fiscais. O mercado acompanhará a evolução dos spreads soberanos, do real e das expectativas de política monetária.
O próximo passo será a definição no Congresso de um limite de gastos mais restritivo; a aprovação ou rejeição desse teto determinará se o ajuste fiscal será suficiente para estabilizar a dívida pública.
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