Fim da escala 6×1 pode aumentar custos de empresas e mudar cenário para investidores

A possível redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com o encerramento da escala 6×1, pode alterar os custos operacionais de empresas brasileiras e afetar seus resultados financeiros. Os efeitos tendem a ser mais relevantes nos negócios que dependem de grandes equipes para manter suas atividades, como varejistas, redes de ensino, prestadoras de serviços e fabricantes de calçados. Um levantamento da Economatica avaliou 44 companhias listadas na B3 com base nas Demonstrações do Valor Adicionado (DVA) referentes ao primeiro semestre de 2026. O estudo identificou diferenças importantes na participação das despesas com pessoal em relação à receita e simulou como um possível aumento desses gastos poderia afetar os lucros. A análise ganha relevância para investidores porque mudanças nas regras trabalhistas podem influenciar margens operacionais, decisões de contratação, preços e estratégias de expansão. Entretanto, os resultados apresentados são estimativas condicionais, e não previsões definitivas sobre o desempenho das ações. : Companhia listada na B3 busca recuperação extrajudicial Quais empresas da B3 têm maior exposição aos custos trabalhistas? Imagem: syda_productions – Freepik A participação dos gastos com pessoal na receita é um dos indicadores utilizados para avaliar a sensibilidade de uma companhia a mudanças na jornada de trabalho. Quanto maior essa proporção, maior pode ser a pressão sobre os custos caso a empresa precise contratar funcionários adicionais ou pagar horas extras para manter o nível de operação. Segundo o levantamento, a prestadora de serviços terceirizados GPS (GGPS3) apresenta despesas com pessoal equivalentes a 47,4% da receita. Na sequência aparecem Totvs (TOTS3), com 37,4%; Rede D’Or (RDOR3), com 36,8%; CVC (CVCB3), com 31,9%; Grendene (GRND3), com 27,9%; e Vulcabras (VULC3), com 27,6%. Esses números não significam que todas essas empresas terão aumentos proporcionais de custos. A exposição efetiva depende das jornadas praticadas, dos acordos coletivos, da possibilidade de reorganizar turnos e da produtividade de cada operação. Empresas com menor participação da folha na receita No outro extremo estão companhias cuja atividade exige investimentos elevados em ativos e infraestrutura, mas apresenta participação relativamente menor das despesas com pessoal na receita. A PRIO (PRIO3), por exemplo, registra uma proporção de 1,3%, conforme os dados do estudo. Engie Brasil (EGIE3), Taesa (TAEE11), Movida (MOVI3), Localiza (RENT3) e Multiplan (MULT3) também aparecem entre as empresas com exposição relativamente menor. Isso não significa ausência de impacto. Essas companhias podem ter funcionários sujeitos às mudanças, fornecedores afetados ou operações específicas que exijam ajustes. O indicador apenas sugere que a folha representa uma parcela menor da receita em comparação com empresas mais intensivas em mão de obra. Simulação aponta pressão sobre o lucro de algumas companhias Para estimar os possíveis efeitos financeiros, a Economatica simulou um cenário em que a redução da jornada seria compensada integralmente por novas contratações ou pelo pagamento de horas extras. Nesse exercício, os custos com pessoal aumentariam cerca de 10%. A simulação identificou empresas nas quais a despesa adicional poderia representar uma parcela expressiva do lucro registrado no primeiro semestre de 2026. A Azzas 2154 (AZZA3) aparece com impacto potencial equivalente a 114% do lucro semestral. Na Yduqs (YDUQ3), a proporção estimada é de 80%. Já a GPS (GGPS3) apresenta impacto equivalente a 64%, enquanto a Pague Menos (PGMN3) registra aproximadamente 53%. Essas proporções comparam o custo adicional hipotético com o lucro obtido no período analisado. Portanto, não representam necessariamente uma queda dessa magnitude no lucro líquido, pois o resultado efetivo dependerá de outras despesas, receitas, medidas de adaptação e condições de mercado. Outras empresas destacadas pelo levantamento são RD Saúde (RADL3), Grupo Mateus (GMAT3), Cogna (COGN3), Minerva (BEEF3) e Ânima (ANIM3). Empresas que já operam no prejuízo podem enfrentar dificuldades adicionais O estudo também chama a atenção para companhias que registraram prejuízo no primeiro semestre, como Magazine Luiza (MGLU3), GPA (PCAR3), Casas Bahia (BHIA3), MRV (MRVE3), Simpar (SIMH3), JSL (JSLG3) e CVC (CVCB3). Caso os custos trabalhistas aumentem sem compensações operacionais, essas empresas poderão enfrentar pressão adicional sobre seus resultados. Ainda assim, o impacto dependerá da situação financeira individual, da capacidade de renegociar despesas e da evolução das vendas. Para o investidor, é importante observar não apenas o lucro líquido, mas também indicadores como margem operacional, geração de caixa, endividamento e evolução das despesas com pessoal. Quais empresas podem se beneficiar do fim da escala 6×1? Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital A mudança também pode abrir oportunidades para setores ligados ao lazer, ao turismo e ao consumo. Com mais tempo livre, parte dos trabalhadores poderá ampliar gastos com atividades recreativas, viagens, alimentação fora de casa e serviços de bem-estar. Entre as empresas citadas como possíveis beneficiárias estão Smart Fit (SMFT3), CVC (CVCB3), Ambev (ABEV3) e Multiplan (MULT3). A hipótese é que uma maior disponibilidade de tempo possa estimular a procura por academias, viagens, entretenimento, restaurantes e centros comerciais. Esse efeito, porém, não é automático. O aumento do tempo livre só se converterá em maior receita para essas companhias se houver demanda, renda disponível e condições econômicas favoráveis. A Totvs (TOTS3), por sua vez, pode encontrar oportunidades na procura por sistemas de gestão de escalas, recursos humanos e controle de jornadas. Empresas que precisarem reorganizar equipes poderão investir em ferramentas tecnológicas para administrar horários, produtividade e custos. Prestadoras de serviços terceirizados, como a GPS, também podem receber novas demandas de empresas que busquem complementar equipes. Ao mesmo tempo, estarão sujeitas à própria necessidade de ajustar as jornadas de seus funcionários, o que torna o efeito financeiro ambíguo. Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital O post Fim da escala 6×1 pode aumentar custos de empresas e mudar cenário para investidores foi publicado originalmente em Seu Crédito Digital. A reprodução não autorizada deste conteúdo é proibida e monitorada. 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