O mercado global de fretes atingiu €208.1 bilhões em 2025, registrando crescimento real de 4.4%, conforme dados recentes da Transport Intelligence (Ti). Este valor representa um arrefecimento notável em relação à recuperação pós-pandemia de 2024, sinalizando uma transição para um período de crescimento estruturalmente limitado, mas constante, até 2030, impulsionado por reconfigurações de cadeias de suprimentos e demanda resiliente. A estabilização do setor beneficia empresas de logística e transporte marítimo como ZIM e MAERSK.CO, e operadoras de infraestrutura portuária e ferroviária como RUMO3 e CCRO3. Para o investidor brasileiro, o crescimento estável implica resiliência para exportadores (SUZB3, VALE3) devido à logística mais previsível e custos de frete estabilizados, impactando positivamente a balança comercial e o BRL, além de aliviar a pressão inflacionária. Bancos centrais podem interpretar a desaceleração do crescimento dos fretes como um sinal de descompressão nas pressões inflacionárias de bens, potencialmente influenciando decisões de política monetária mais flexíveis, enquanto o Smart Money pode rotacionar para ativos de valor e infraestrutura. Um paralelo pode ser traçado com a recuperação lenta do comércio global pós-crise financeira de 2008-2009, onde o crescimento estrutural levou cerca de 3 anos para se normalizar, com o Baltic Dry Index (BDI) recuperando-se totalmente apenas em 2011. O próximo gatilho a monitorar será a publicação do relatório de volume de comércio global da OMC para o Q3 2026, previsto para outubro de 2026, que fornecerá clareza sobre a sustentabilidade do crescimento. No médio prazo, até 2030, o setor de fretes deve apresentar um perfil de investimento mais defensivo, com foco em eficiência e tecnologia, favorecendo empresas com forte governança e capacidade de adaptação a novas rotas e digitalização.
Nos próximos 6-12 meses, espera-se que o mercado de fretes mantenha um crescimento estável, com os volumes globais sustentando as receitas das empresas de logística e infraestrutura. O principal gatilho para uma aceleração seria a intensificação das políticas de reconfiguração de cadeias de suprimentos ou um aumento inesperado na demanda de bens de consumo, enquanto uma recessão global representaria um risco significativo.
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