O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,42% na segunda prévia de junho, conforme divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), confirmando uma tendência de arrefecimento dos preços. Essa queda reflete principalmente a desaceleração dos preços no atacado (IPA), indicando menor pressão de custos para as indústrias e um provável repasse futuro aos preços ao consumidor, além de impactar contratos de aluguel e concessões indexados ao índice. A deflação do IGP-M deve impulsionar ações de construtoras como CYRE3 e MRVE3, varejistas como MGLU3 e LREN3, e fundos imobiliários de tijolo como HGLG11, ao passo que pode pressionar margens de bancos como ITUB4 e empresas de concessão como CCRO3. Para o investidor brasileiro, o cenário aponta para uma redução das expectativas de inflação e, consequentemente, para a possibilidade de cortes mais agressivos na taxa Selic, favorecendo a renda variável e desfavorecendo a renda fixa pós-fixada. O Banco Central do Brasil (BCB) provavelmente interpretará este dado como um sinal positivo para a convergência inflacionária, reforçando a flexibilidade para a continuidade da política monetária expansionista, enquanto o Smart Money pode iniciar uma rotação de ativos de juros para equities. Em 2017, o IGP-M também registrou deflação significativa (-0,52% em abril), o que precedeu um ciclo de corte de juros pelo Copom, resultando em valorização do IBOV acima de 20% no ano e forte recuperação do setor imobiliário. O próximo dado crucial a monitorar será o IPCA de junho, a ser divulgado pelo IBGE, e a ata da próxima reunião do Copom, que fornecerá pistas sobre a trajetória da Selic, ambos esperados nas próximas 2-3 semanas. No médio prazo (3-6 meses), a persistência de um IGP-M deflacionário, se acompanhada pela desaceleração do IPCA, pode solidificar um ciclo de juros mais baixos, impulsionando setores sensíveis ao crédito e à demanda doméstica.
Nas próximas 2-3 semanas, o mercado aguardará o IPCA de junho e a ata do Copom para confirmar a trajetória de juros. Se os dados reforçarem a tendência deflacionária, espera-se que o IBOV estenda seu rali, com setores sensíveis a juros como varejo e construção apresentando valorização de 3-5%.
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