O estudo da XP mostra que a vantagem das ações de alto dividendos em períodos de aperto monetário vem da queda mais acentuada das empresas que distribuem pouco, e não da valorização das que pagam mais. Esse efeito surge porque juros mais altos elevam a taxa de desconto, penalizando empresas de crescimento que dependem de fluxos futuros, enquanto pagadoras de dividendos têm fluxo de caixa mais estável. Para o investidor brasileiro, isso pode significar maior contribuição de dividendos ao retorno total, mas não garante alta de preço absoluto. Gestores de fundos provavelmente vão rotacionar parte da carteira para fundos de dividendos e reduzir exposição a setores mais sensíveis ao custo de capital. Um paralelo histórico ocorreu em 2018, quando o aumento da taxa Selic nos EUA impulsionou ETFs de dividendos em cerca de 2% frente a fundos de crescimento. O próximo gatilho a observar são as decisões de política monetária, especialmente o CPI dos EUA e a agenda da taxa Selic; se a tendência de juros elevados persistir, o viés para dividendos se mantém. No horizonte de 1 a 3 meses, espera‑se que as pagadoras de dividendos mantenham vantagem relativa, mas um recuo nas taxas pode reverter o cenário a favor das ações de crescimento.
O gatilho de reversão será a decisão de corte da taxa Selic ou um forte dado de crescimento econômico que reduza a aversão ao risco.
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