Uma estudante de apenas 14 anos desenvolveu um modelo matemático capaz de ajudar a identificar os melhores locais para instalar sensores de terremotos. O projeto de Isabel Rossi, que mora no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, conseguiu ampliar em 16,7% a cobertura de detecção sísmica em uma das simulações realizadas, considerando a instalação de apenas cinco equipamentos adicionais. A pesquisa foi desenvolvida ao longo de seis meses e utilizou informações sobre terremotos registrados e a localização dos sensores existentes na região de Los Angeles, na Califórnia. A proposta é encontrar pontos estratégicos para ampliar a capacidade de monitoramento sem ignorar dificuldades práticas, como o acesso aos equipamentos para manutenção. O trabalho levou a adolescente à final do Desafio de Jovens Inovadores da Thermo Fisher Scientific de 2026, competição científica que reúne estudantes com projetos voltados à inovação e à solução de problemas reais. : Terremoto atinge região brasileira; entenda o que aconteceu Como funciona o modelo matemático criado por Isabel Rossi? Imagem: Ahmet AYUNAL | shutterstock O principal objetivo da pesquisa foi desenvolver um sistema computacional capaz de avaliar diferentes combinações de locais para a instalação de sensores sísmicos. Esses equipamentos são utilizados para registrar vibrações do solo e identificar movimentos relacionados a terremotos. Quanto melhor distribuídos estiverem, maiores podem ser as possibilidades de detectar eventos sísmicos em diferentes pontos de uma região. Entretanto, instalar sensores não depende apenas de encontrar os locais com maior potencial de detecção. Também é necessário considerar fatores como infraestrutura, distância, disponibilidade de acesso e condições para manutenção. Um equipamento instalado em uma área geograficamente estratégica, mas praticamente inacessível, pode representar dificuldades operacionais. Foi justamente esse conflito que Isabel procurou solucionar com ferramentas matemáticas. Negociação de Nash ajuda a equilibrar diferentes objetivos Entre os recursos utilizados pela estudante está a negociação de Nash, conceito da teoria dos jogos empregado para encontrar soluções equilibradas quando existem objetivos que precisam ser conciliados. No projeto, a técnica ajudou a avaliar simultaneamente a capacidade de detecção dos sensores e a facilidade de acesso aos locais escolhidos. A estudante também utilizou a soma ponderada, método matemático que atribui diferentes pesos aos critérios analisados. Dessa maneira, o programa consegue considerar a importância relativa de cada fator na escolha dos pontos de instalação. Outro conceito aplicado foi a fronteira de Pareto, utilizada em problemas de otimização. Ela permite identificar soluções em que não é possível melhorar um determinado objetivo sem prejudicar outro. Com a combinação dessas ferramentas, o sistema consegue comparar cenários e identificar alternativas que oferecem um equilíbrio entre eficiência técnica e viabilidade operacional. Simulação aponta aumento de 16,7% na cobertura dos sensores Um dos resultados mais expressivos apareceu em uma simulação na qual cinco sensores adicionais foram posicionados conforme as recomendações do modelo matemático. Nesse cenário, a cobertura de detecção de terremotos aumentou 16,7% em relação à configuração analisada. O resultado indica que a escolha estratégica dos locais de instalação pode fazer diferença mesmo quando a quantidade de equipamentos disponíveis é limitada. É importante destacar, porém, que o percentual foi obtido em simulações computacionais. A melhoria ainda não foi comprovada por meio da instalação dos sensores em uma rede real de monitoramento. Mesmo assim, a pesquisa apresenta uma possibilidade relevante para instituições responsáveis pelo acompanhamento de atividades sísmicas, especialmente em regiões que precisam ampliar a cobertura sem realizar investimentos elevados em equipamentos. Interesse pela matemática começou ainda na infância A trajetória de Isabel também chama atenção pela relação precoce com a ciência. A adolescente contou à organização da competição que costuma dedicar parte do tempo livre à resolução de equações e demonstrações matemáticas. Quando era mais nova, chegou a construir foguetes caseiros com a orientação de um engenheiro aposentado da NASA, experiência que contribuiu para aproximá-la de atividades científicas e tecnológicas. Na escola, a estudante organizou uma equipe de matemática e ajudou a promover um evento dedicado às ciências exatas. Além das atividades acadêmicas, Isabel toca violino na Orquestra Jovem de Williamsburg e participa de iniciativas relacionadas às ciências ambientais. A combinação de interesses demonstra como projetos científicos podem surgir da curiosidade individual e da disposição para investigar problemas que exigem conhecimentos de diferentes áreas. Isabel Rossi está entre os finalistas de competição científica internacional O desenvolvimento do modelo matemático garantiu à estudante uma vaga entre os 30 finalistas do Desafio de Jovens Inovadores da Thermo Fisher Scientific de 2026. Segundo as informações divulgadas pela organização, quase 10 mil estudantes participaram da seleção. A competição incentiva jovens do ensino fundamental a desenvolver pesquisas e apresentar soluções científicas para desafios concretos. A etapa final foi programada para ocorrer em Washington, D.C., entre 23 e 28 de outubro de 2026. Os participantes disputam mais de US$ 100 mil em premiações, com US$ 25 mil destinados ao vencedor principal. A classificação de Isabel representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido durante seis meses e coloca em evidência o potencial da matemática para contribuir com áreas como geologia, engenharia e prevenção de desastres naturais. Como a tecnologia pode melhorar a prevenção de terremotos? Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital O monitoramento sísmico é uma ferramenta importante para compreender a atividade geológica e acompanhar movimentos do solo. Redes de sensores bem distribuídas ajudam pesquisadores a identificar terremotos, estimar suas características e estudar os riscos associados. No Brasil, embora o território apresente atividade sísmica geralmente menos intensa do que regiões como a costa oeste dos Estados Unidos, também são registrados tremores de terra. O monitoramento realizado por instituições como o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) contribui para acompanhar esses fenômenos. Modelos matemáticos como o desenvolvido por Isabel poderiam, futuramente, auxiliar no planejamento de redes de monitoramento em diferentes países. A pesquisa ainda depende de validações práticas, mas demonstra como a otimização de recursos pode melhorar estratégias de observação científica. Mais do que acrescentar equipamentos, encontrar os locais adequados para instalá-los pode ser decisivo para ampliar a eficiência de uma rede de detecção. (Foto: Reprodução / Instagram / @wjccschools / Xataka) O post Adolescente de 14 anos cria modelo matemático que melhora detecção de terremotos em 16,7% foi publicado originalmente em Seu Crédito Digital. A reprodução não autorizada deste conteúdo é proibida e monitorada. 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