Netanyahu sugere uso de criptomoedas para contornar possíveis sanções na véspera da eleição

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que disputa a reeleição esta semana, está sendo alvo de críticas de economistas e rivais políticos após sugerir que Israel poderia utilizar criptomoedas para ajudar a proteger sua economia de eventuais sanções internacionais. Em entrevista ao Canal 10 de Israel na sexta-feira (23), Netanyahu afirmou que está se preparando para um cenário no qual sanções mais amplas poderiam ser impostas ao país. No mês passado, Reino Unido, França e Canadá anunciaram que bloqueariam importações provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia — a mais recente de uma série de medidas voltadas contra a política de assentamentos de Israel, o que evidencia o crescente isolamento diplomático do país junto a alguns de seus aliados tradicionais. “Podem surgir sanções, inclusive contra bancos; por isso, é preciso criar uma economia alternativa”, disse Netanyahu. “Existem moedas capazes de contornar sanções. Estamos trabalhando nisso também.” Ao ser questionado se se referia a criptomoedas, Netanyahu respondeu: “Exatamente, exatamente”, acrescentando que a tecnologia blockchain seria outra possibilidade. Os comentários provocaram uma rara repreensão por parte do Banco de Israel, que declarou que criptomoedas não podem servir como meio para contornar sanções e que os líderes políticos deveriam concentrar-se em políticas que tornem tais medidas desnecessárias. “O caminho correto para a economia de Israel é preservar nossas relações econômicas com nossos principais parceiros comerciais e focar em evitar sanções e seus impactos negativos sobre a economia”, afirmou a instituição. Neste domingo, Netanyahu continuou a defender sua gestão, pedindo o apoio dos eleitores e ressaltando que ele e o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda têm dois anos pela frente para trabalharem juntos com o objetivo de derrubar os governantes do Irã. Mais de 100 economistas — incluindo ex-autoridades do Banco de Israel, o ex-presidente do Banco Central Jacob Frenkel e diversos ganhadores do prêmio Nobel — assinaram uma carta expressando preocupação com a proposta de Netanyahu. Segundo eles, a medida levaria a um aumento do desemprego, a uma queda nos investimentos estrangeiros e ao colapso da posição econômica de Israel no cenário global. “Como vimos em países que sofreram sanções semelhantes, como África do Sul, Irã e Rússia, o padrão de vida dos cidadãos israelenses despencaria drasticamente, e a capacidade do Estado de financiar sua segurança e defender-se contra seus inimigos seria gravemente prejudicada”, dizia a carta. “Netanyahu está, conscientemente, conduzindo o Estado de Israel rumo a um boicote e ao isolamento econômico internacional; e tudo o que ele tem a oferecer à economia israelense é uma solução intrigante — do tipo adotada por organizações criminosas —, que não ajudará em absolutamente nada.” O principal rival de Netanyahu na eleição de terça-feira, Gadi Eisenkot, classificou o plano envolvendo criptomoedas como “loucura” e afirmou temer que a “política da 'BibiCoin” leve empresas a se transferirem para o exterior e comprometa a segurança nacional. O líder da oposição, Yair Lapid, declarou: “Netanyahu perdeu o rumo... antes destas eleições, ele promete aos cidadãos de Israel que eles acabarão enfrentando filas de uma hora e meia para conseguir pão, tal como ocorre na Rússia e no Irã”. Pesquisas de opinião apontam para um possível impasse na eleição, sem que a coalizão governista de Netanyahu ou a aliança de oposição consigam garantir uma maioria parlamentar para governar. Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu Reuters/Ronen Zvulun/Pool/Foto de arquivo

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