Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil? Entenda o que se sabe sobre possível saída para os EUA

Flávio Bolsonaro (PL) está viajando para os Estados Unidos após perder as eleições presidenciais, segundo fontes confirmaram a Reuters nesta terça-feira (27). As notícias de que ele teria deixado o país ganharam força após um site argentino informar que o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro teria cruzado a fronteira entre Brasil e Argentina para executar seu plano de fuga. Vitorioso no primeiro pleito e líder nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno, Flávio perdeu a eleição para presidente da República neste domingo (25), após a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizar uma virada histórica. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio. Ainda no domingo, o senador não reconheceu a vitória do adversário e disse que iria questionar os resultados, devido a prorrogação do horário de votação, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, com base em pedidos de ambas as candidaturas. Na segunda-feira (26), porém, o PL, partido de Flávio, reconheceu a vitória de Lula. Nesta terça-feira, a imprensa argentina começou a repercutir que o senador teria entrado no país, onde pegaria um voo para os Estados Unidos. A assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro não confirmou a saída do parlamentar do país, mas também não soube informar o seu paradeiro. A Reuters apurou que as duas filhas do parlamentar não foram para as escolas em que estudam hoje. Um alto funcionário da Polícia Federal brasileira afirmou à agência de notícias que Flávio Bolsonaro não deixou o país por meio de nenhum posto de controle migratório oficial. Passaportes cancelados Antes da possível fuga, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão mais velho de Flávio, disse durante uma transmissão nas redes sociais, realizada em 23 de outubro, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial. Isso fez com que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, emitisse nesta segunda-feira (26) uma decisão para que Flávio entregasse seus passaportes comuns e diplomáticos em até 24 horas. A decisão aconteceu no âmbito das investigações contra Flávio e Willer Tomaz por lavagem de dinheiro. O senador também é investigado por suspeita de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção envolvendo os repasses financeiros de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, "Dark Horse". Ontem, após a decisão de Moraes, Flávio negou que tinha a intenção de deixar o Brasil, pois tinha como objetivo organizar a oposição ao novo mandato de Lula. Nesta terça, Flávio Bolsonaro não entregou seus passaportes para a Polícia Federal no prazo determinado por Moraes, o que resultou no cancelamento dos passaportes comuns. Os passaportes diplomáticos são de responsabilidade do Itamaraty. O que diz a mídia argentina O site argentino Infobae publicou uma reportagem nesta terça-feira (27) afirmando que Flávio Bolsonaro teria cruzado a fronteira entre o Brasil e a Argentina, usando o seu documento de identidade. "O senador brasileiro Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil e estaria viajando para os Estados Unidos a partir da Argentina, em um voo privado cuja decolagem de Puerto Iguazú, em Misiones, estava prevista para as 02h desta terça-feira, horário local", escreveu o Infobae. Segundo informações obtidas pelo Infobae, a companhia solicitou os trâmites de alfândega e imigração para quatro passageiros e três tripulantes. O jornal argentino Clarín afirmou que um voo programado para essa aeronave, com destino à Miami (EUA), foi cancelado na madrugada desta terça-feira, pois um passageiro teria passado mal. A lista com os nomes dos passageiros não foi divulgada. A aeronave seria um avião Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa aérea de serviços de fretamento de passageiros e cargas Baires Fly, segundo a publicação. O último voo registrado por este avião, segundo o site de monitoramento Flight Radar, aconteceu na noite de segunda-feira (26), em um trajeto de Buenos Aires para Puerto Iguazú. Desde então, não há registros de que a aeronave tenha feito outra viagem. O Gulfstream G400 LV-JQW foi fabricado em 2004 pela Gulfstream Aerospace. Possui 14 assentos, dois motores Rolls-Royce Tay e uma autonomia estimada entre 7.000 e 7.800 quilômetros. O que dizem os envolvidos O secretário de imprensa do presidente argentino, Javier Milei, negou que Flávio Bolsonaro tenha entrado na Argentina, segundo a Bloomberg. “O órgão de migração da Argentina não possui registro de qualquer entrada de Flávio Bolsonaro na República Argentina”, informou a assessoria de imprensa da presidência em uma mensagem enviada na manhã desta terça-feira (27). Em entrevista coletiva, o porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, acrescentou que não houve, por parte de Bolsonaro, nenhum pedido de asilo na Argentina, segundo a Bloomberg. O Valor apurou que a Direção Nacional de Migrações do governo da Argentina também afirma que não há registro de entrada do senador no país vizinho. Em nota oficial, o órgão informou que a repercussão sobre a presença de uma aeronave privada no Aeroporto Internacional de Iguazú levou as autoridades a realizarem verificações no avião e na tripulação. Segundo o comunicado, a documentação da empresa está regular e não foi apresentado nenhum plano de voo que inclua a família Bolsonaro. Procurada pelo Valor, a Baires Fly, operadora da aeronave citada na reportagem do Infobae, também negou que a empresa operaria um voo levando Flávio Bolsonaro. “Não há nada, pelo menos conosco”, disse um representante da empresa por telefone.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real