Recuperações Judiciais Recordes Pressionam Crédito e Garantias Reais no Brasil

O Brasil registrou um recorde de 2,2 mil pedidos de recuperação judicial em 2024, superando a série histórica da Serasa Experian, com 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026. A Selic em patamar elevado e o crédito caro elevam o custo de capital das empresas, forçando reestruturações e defaults, e corroendo a eficácia das garantias reais, como a alienação fiduciária de imóveis, ao serem tratadas pelo Judiciário. Bancos como ITUB4 e BBDC4 enfrentam maior risco de perdas em suas carteiras de crédito, enquanto FIIs de recebíveis como KNCR11 e MXRF11 podem ver seus CRIs desvalorizarem com a menor segurança das garantias. O cenário restringe a oferta de crédito na economia brasileira, impactando o crescimento do PIB e pressionando a rentabilidade do setor financeiro, com possíveis reflexos na política de dividendos. A crise de 2016-2017 no Brasil também viu um aumento significativo de recuperações judiciais, mas o volume atual é superior, indicando uma pressão mais intensa sobre a solvência corporativa. A próxima reunião do COPOM para decisão da Selic e a evolução da jurisprudência sobre garantias reais serão cruciais para o mercado de crédito. No médio prazo, a manutenção da Selic elevada prolongará o estresse, enquanto uma flexibilização do crédito pode aliviar, mas a questão das garantias judiciais persistirá como um entrave estrutural.

Análise

Nas próximas 4-6 semanas, o mercado de crédito brasileiro manterá cautela, com bancos e investidores exigindo prêmios de risco mais elevados. A expectativa é de que o COPOM mantenha a Selic em patamar restritivo na próxima reunião de 2026-09-16, impactando negativamente a concessão de crédito e a qualidade dos ativos financeiros, especialmente CRIs e carteiras de crédito bancário. Monitorar a decisão do COPOM e a evolução do índice de inadimplência da Serasa Experian para fevereiro de 2026.

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