Bianca Lima, da XP, e Carolina Grillo, do GENI-UFF, destacam que a percepção de insegurança, exemplificada por roubos de celular, tem maior peso no voto do que as estatísticas oficiais de violência. Essa dicotomia entre percepção e dado objetivo direciona o debate político para a segurança pública, potencialmente marginalizando discussões sobre políticas fiscais, monetárias ou reformas estruturais. A prevalência de pautas emocionais pode gerar incerteza sobre a previsibilidade da política econômica futura, impactando negativamente ativos de risco brasileiros como o IBOV (BOVA11) e o real (USDBRL). O investidor brasileiro enfrenta um cenário de maior ruído político, onde a volatilidade pode aumentar, exigindo maior cautela na alocação em ações locais e buscando proteção em ativos dolarizados. Em eleições anteriores, como em 2018, a polarização em torno de pautas não-econômicas gerou volatilidade de 15-20% no IBOV nos meses pré-eleitorais. A próxima fase da corrida presidencial, com a consolidação de candidaturas e planos de governo, será crucial para reorientar a percepção de risco. No médio prazo (6-12 meses), a persistência de pautas focadas em percepção, em detrimento de dados concretos, pode sinalizar um ambiente de menor estabilidade e previsibilidade para o capital estrangeiro, favorecendo ativos de maior liquidez e offshore.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado brasileiro deve permanecer volátil, com o USDBRL ($5.1075 hoje) testando níveis acima de R$5.20 e o BOVA11 ($177.866 hoje) sob pressão, podendo cair 3-7% se as pesquisas de intenção de voto continuarem a refletir a primazia da percepção de insegurança sobre as pautas econômicas. A definição mais clara dos vices e dos primeiros programas de governo será o principal gatilho para uma possível reavaliação.
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