Força dos EUA e geração de caixa dominam leitura de analistas sobre resultado da Gerdau

Os resultados da Gerdau no terceiro trimestre reforçaram uma percepção que já vinha se consolidando entre os analistas: a operação americana segue sendo o principal motor de crescimento e rentabilidade da companhia, compensando um ambiente mais desafiador na América do Sul e, em menor grau, no Brasil. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 3,77 bilhões ficou em linha ou ligeiramente acima das projeções da maior parte dos bancos e corretoras. Na avaliação do BTG Pactual, o resultado trouxe “mais uma evidência da força das operações americanas da Gerdau”, com as margens na América do Norte atingindo 27,7%, acima até mesmo das estimativas mais otimistas da instituição. O Citi também chamou atenção para o desempenho da região, destacando que o Ebitda de R$ 2,9 bilhões foi o maior registrado pela companhia nos Estados Unidos nos últimos quatro anos. Segundo o banco, a melhora da receita líquida por tonelada compensou amplamente um cenário mais fraco em outras geografias. Para a XP, o trimestre voltou a demonstrar que “o vigor do mercado norte-americano continua ofuscando a fraqueza do cenário doméstico brasileiro”. A corretora observou que o aumento médio de aproximadamente US$ 70 por tonelada nos preços realizados do aço foi suficiente para mais do que compensar a retração de 3% nos volumes vendidos. Na mesma linha, o Jefferies destacou que a divisão norte-americana respondeu por cerca de 76% do Ebitda consolidado da companhia. O banco observou que os preços mais elevados e os custos estáveis garantiram as melhores margens da região dos últimos anos, reforçando o peso crescente dos ativos americanos na geração de resultados da siderúrgica. Embora os Estados Unidos tenham concentrado os elogios, o desempenho brasileiro também foi considerado melhor do que o esperado por parte relevante do mercado. O J.P. Morgan classificou a operação local como uma surpresa positiva, apontando que o Ebitda no Brasil ficou 22% acima de suas projeções, impulsionado por volumes mais elevados de aços planos e preços superiores aos estimados inicialmente. O Itaú BBA e a XP também destacaram avanços nas margens domésticas. Segundo os analistas, um mix comercial mais favorável, concentrado no mercado interno e com maior participação dos aços planos, ajudou a compensar a pressão dos custos e a fraqueza das exportações. Nem todos os bancos, porém, veem o cenário brasileiro da mesma forma. O Citi alertou que o ambiente operacional segue desafiador devido aos juros elevados, ao impacto do câmbio sobre matérias-primas e ao avanço das importações de aço. O Bradesco BBI adotou avaliação semelhante, afirmando que o aumento dos custos operacionais e a concorrência dos produtos importados continuam limitando uma recuperação mais robusta da rentabilidade local. Se houve divergências sobre a intensidade da melhora no Brasil, a avaliação sobre a América do Sul foi praticamente unânime. Citi, BTG Pactual e J.P. Morgan apontaram a operação sul-americana como o ponto mais fraco do trimestre, especialmente por causa da deterioração da atividade industrial na Argentina. O BTG observou que as margens da região caíram para 11,1%, abaixo das expectativas, enquanto o J.P. Morgan destacou custos acima do previsto. Outro ponto que reuniu consenso entre praticamente todas as instituições foi a forte geração de caixa. A companhia reportou fluxo de caixa livre de aproximadamente R$ 1,4 bilhão no trimestre. O BTG calculou um rendimento anualizado próximo de 12%, enquanto a XP destacou que o número superou suas estimativas em 67%. O BB Investimentos classificou a geração de caixa como um dos principais destaques do balanço, observando que o fluxo de caixa livre acelerou de R$ 237 milhões no segundo trimestre para R$ 1,4 bilhão entre julho e setembro. Segundo a instituição, o resultado refletiu principalmente uma menor necessidade de capital de giro e despesas financeiras mais baixas. A robustez financeira também apareceu nas análises do BTG, que destacou a redução da dívida líquida para R$ 7,69 bilhões e uma alavancagem de apenas 0,6 vez a dívida líquida sobre Ebitda. Para os analistas, “a combinação de forte geração operacional de caixa, investimentos disciplinados e um balanço sólido continua fornecendo suporte importante para a tese de investimento”. O cenário cambial foi outro tema recorrente. BTG, Citi, Bradesco BBI e BB Investimentos ressaltaram que a elevada exposição da companhia aos Estados Unidos transforma a Gerdau em uma das empresas brasileiras mais beneficiadas por uma eventual desvalorização do real. Atualmente, mais de 75% do Ebitda da companhia é gerado no mercado americano. Gerdau Divulgação/Gerdau

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