Na média, continua tudo meio igual

Tudo o mais constante, a trajetória de queda da Selic para 2026 estava dada algumas semanas atrás, marcada por um gradualismo entediante. Com o ano chegando ao fim, teríamos mais dois últimos cortes em novembro e dezembro, de 25 bps cada, levando a um fechamento em 13,25%. No meio do caminho, porém, vieram as eleições, trazendo novas fontes de influência às expectativas Por um lado, a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro trouxe consigo a esperança de um ajuste fiscal crível e efetivo, já no início de 2027. Em se confirmando essa hipótese, abre-se espaço para um ajuste mais generoso de Selic na reunião de dezembro, de 50 bps. Por outro lado, a herança fiscal contratada em 2026 piora substancialmente. O principal fatoe é que o Governo Lula busca medidas populistas de mais de R$ 350 bi para angariar votos na reta final da campanha. A esta altura, seria preciso muita fé para acreditar em disciplina fiscal numa eventual reeleição, com Lula presidente pela quarta vez e Dario Durigan na Fazenda. Logo, ainda que a expectativa média de Selic continue a mesma, seus extremos se distanciaram Figurativamente, os 12,00% de Selic atualmente projetados para o fim de 2027 provavelmente se traduzem em dois galhos de árvore, sendo um de 12,50% (cenário Lula) e outro de 11,50% (cenário Flávio). Alguns economistas acham inclusive que essa distância pode ser ainda maior, do tipo 13,00% versus 11,00%. Essa dicotomia só começará a ficar evidente na data crítica depois do 2o turno das eleições. Contudo, pode demorar ainda alguns meses mais, até porque o mercado vai querer avaliar de perto a composição dos ministérios e as respectivas propostas fiscais. Mas já dá para sentir que o Focus de agora representará uma distante lembrança do levantamento a ser publicado em 25 de janeiro, daqui a apenas três meses. Fica mantida assim a sina de que o Focus é um excelente mapa para navegar o curto prazo. Contudo, deve ser usado com cautela para distâncias maiores. Nesse caso, pelo menos, não poderemos botar a culpa na bola de cristal trincada dos economistas. De fato, tem uma eleição no meio do caminho, capaz de mudar tudo. Há tipos muito diferentes de realidades à nossa frente, despertando ansiedades mil. Para saber operá-las com sabedoria, devemos evitar desejá-las. O post Na média, continua tudo meio igual apareceu primeiro em Empiricus.

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