Mercado Bitcoin fecha parceria com Sui para oferecer novos ativos e explorar uso do Bitcoin em DeFi

O Mercado Bitcoin (MB) anunciou nesta quinta-feira (29) uma ampliação de sua parceria com a blockchain Sui para disponibilizar novos ativos digitais aos brasileiros e desenvolver produtos financeiros baseados em Bitcoin. A iniciativa permitirá que os clientes da exchange comprem, vendam e transfiram criptomoedas da rede, além de abrir caminho para explorar usos do BTC em aplicações financeiras onchain. A novidade inicial envolve a integração de três ativos: SUI, criptomoeda nativa da blockchain, e as stablecoins USDC e USDsui, vinculadas ao dólar. Os usuários poderão comprar, vender, enviar e receber esses ativos diretamente pela plataforma do Mercado Bitcoin. A parceria também prevê duas frentes de desenvolvimento futuro: a integração da tecnologia Hashi, criada para permitir que bitcoins sejam utilizados como garantia em operações de finanças descentralizadas (DeFi), e a emissão de ativos tokenizados do Mercado Bitcoin na rede Sui. “Milhões de pessoas em todo o Brasil agora têm acesso à Sui por meio do Mercado Bitcoin. Ao longo de mais de uma década, construímos uma infraestrutura regulada para ativos digitais no país, com integração ao Pix e conexão direta entre reais e cripto”, afirma Roberto Dagnoni, presidente do conselho do Mercado Bitcoin. Segundo o executivo, a companhia também pretende aproveitar a parceria para ampliar as possibilidades de movimentação internacional de ativos digitais, aproveitando estruturas que estão sendo desenvolvidas para conectar o Brasil a outros mercados. “Agora, estamos ampliando esse alcance também por meio dos corredores internacionais que estamos desenvolvendo para os Estados Unidos e Portugal. Trazer a Sui para essa infraestrutura significa abrir uma nova rede para milhões de brasileiros dentro de um ambiente regulado”, acrescenta Dagnoni. Leia também: Mercado Bitcoin entra com pedido de licença cripto no Banco Central Em entrevista ao Portal do Bitcoin, Jon Campagna, chefe de parcerias da Hashi e mercados de capitais onchain da Mysten Labs, empresa responsável pelo desenvolvimento da Sui, explicou que a proposta é ampliar as possibilidades de utilização do Bitcoin, que tradicionalmente é mantido pelos investidores como reserva de valor. “Há mais de US$ 1 trilhão em Bitcoin que permanece praticamente parado. Passei anos conversando com instituições e pessoas que possuem o ativo, e a pergunta era sempre a mesma: como posso utilizar meu Bitcoin sem vendê-lo ou entregá-lo a alguém em quem preciso confiar?”, afirmou o executivo. Segundo Campagna, a tecnologia Hashi foi desenvolvida justamente para permitir que investidores utilizem seus bitcoins em serviços financeiros sem precisar transferi-los para uma instituição centralizada. A integração desse tipo de uso ao Mercado Bitcoin, entretanto, ainda está em desenvolvimento e não possui data definida para chegar aos clientes brasileiros. Por enquanto, a novidade é a disponibilização dos ativos da rede Sui. Como funcionam os empréstimos com Bitcoin da Hashi? A principal inovação que as empresas poderão explorar no futuro é a possibilidade de utilizar Bitcoin como garantia para obter empréstimos em stablecoins. Na prática, a proposta é permitir que uma pessoa que possui Bitcoin consiga acessar recursos financeiros sem precisar vender suas criptomoedas. O funcionamento utiliza a Hashi, tecnologia que conecta o Bitcoin às aplicações de finanças descentralizadas da Sui. Segundo Campagna, o investidor deposita seus bitcoins em uma carteira controlada pelo sistema Hashi, mas os ativos originais permanecem na própria rede Bitcoin. A partir daí, é criada uma representação desses bitcoins na blockchain Sui, chamada hBTC, que poderá ser utilizada em aplicações financeiras. Com essa representação, o investidor poderá oferecer o valor de seus bitcoins como garantia e tomar um empréstimo em stablecoins, dependendo das condições estabelecidas pela plataforma de crédito. Do outro lado da operação ficam os investidores que possuem stablecoins e desejam disponibilizar seus recursos para empréstimos. Campagna explica que a Hashi trabalhará com protocolos parceiros, como o Fluid, para conectar esses dois grupos. “Os credores depositam stablecoins no protocolo e os tomadores utilizam o Bitcoin representado pela Hashi como garantia para tomar esses recursos emprestados. O tomador paga juros, e quem emprestou recebe esses juros. A taxa varia conforme a demanda”, explicou. Assim, quanto maior a procura por empréstimos em relação à quantidade de recursos disponíveis, maior tende a ser a taxa cobrada dos tomadores e recebida pelos fornecedores de liquidez. Questionado sobre a possibilidade de os juros serem menores do que os cobrados por bancos brasileiros, o executivo afirmou que a tecnologia poderia oferecer uma alternativa ao crédito tradicional, mas evitou apresentar uma comparação numérica. Isso porque a Hashi não determina as taxas dos empréstimos. Os valores dependerão dos protocolos que utilizarem a tecnologia, da demanda por recursos e de outros fatores, como custos de proteção cambial. Para os brasileiros, uma eventual integração permitiria acessar esses serviços diretamente pelo aplicativo do Mercado Bitcoin, sem precisar utilizar diferentes carteiras e aplicações descentralizadas. “Para alcançar escala, esse produto precisa estar nos aplicativos que as pessoas já utilizam, como o Mercado Bitcoin. É esse tipo de parceria que permite levar a tecnologia a mais clientes”, afirmou Campagna. A estrutura, porém, não elimina os riscos dos empréstimos com criptomoedas. A desvalorização do Bitcoin utilizado como garantia pode exigir a apresentação de mais recursos ou provocar a liquidação da posição, conforme as regras do protocolo. Também existem riscos relacionados ao funcionamento dos contratos inteligentes. Segurança do Bitcoin é prioridade, diz executivo da Sui Um dos principais desafios para a expansão de empréstimos com Bitcoin é garantir a segurança dos ativos depositados pelos usuários. Campagna explicou que a Hashi utiliza diferentes mecanismos para controlar a movimentação das criptomoedas, incluindo contratos inteligentes, sistemas de autorização compartilhada e uma camada adicional de proteção chamada guardian. Segundo ele, essa camada funciona como uma verificação extra, limitando a quantidade de bitcoins que pode ser movimentada em determinado período. “Fazemos isso de propósito, porque permite interromper uma movimentação suspeita antes que aconteça um evento, como um roubo de Bitcoin”, afirmou. Essa proteção adicional, entretanto, significa que as operações não serão necessariamente instantâneas. De acordo com Campagna, os usuários precisarão aguardar confirmações da própria rede Bitcoin para determinadas movimentações. O executivo citou um intervalo de aproximadamente 20 minutos a uma hora, dependendo das condições da rede. O sistema também ainda está passando por etapas de auditoria e verificação formal de segurança. Na entrevista, Campagna afirmou que os contratos inteligentes já estão operacionais e que a equipe trabalha para disponibilizar a tecnologia ao público em breve. Além disso, a novidade também dependerá da integração com as plataformas. O executivo também relacionou a preocupação com a segurança aos problemas enfrentados pelo mercado de empréstimos com criptomoedas em 2022, quando empresas como Celsius e BlockFi entraram em crise. Segundo ele, parte dos investidores passou a evitar serviços nos quais não conseguia acompanhar a utilização de suas criptomoedas. A proposta da Hashi é utilizar mecanismos de transparência da blockchain para permitir maior visibilidade sobre os ativos depositados como garantia e as regras das operações. Stablecoins e tokenização também estão nos planos da parceria Além da possibilidade de empréstimos, a chegada da Sui ao Mercado Bitcoin amplia as opções de stablecoins disponíveis para os clientes brasileiros. A parceria permitirá negociar USDC e USDsui pela rede Sui, que, segundo as empresas, possibilita transferências desses ativos sem cobrança de taxas de rede em determinadas condições. A iniciativa acontece em um momento de crescimento da utilização de stablecoins no Brasil. Segundo dados da Receita Federal citados no comunicado, essas criptomoedas já representam cerca de 80% do volume declarado de operações com ativos digitais no país. A Sui também afirma ter processado mais de US$ 1 trilhão em transferências de stablecoins nos últimos 12 meses. Outra frente envolve os ativos do mundo real tokenizados, conhecidos pela sigla RWA, que representam investimentos e direitos financeiros registrados em blockchain. Desde 2019, o Mercado Bitcoin realizou mais de 800 emissões de ativos tokenizados, incluindo produtos vinculados a recebíveis, crédito estruturado, consórcios e imóveis, segundo os dados divulgados pela companhia. Com a parceria, as empresas pretendem avaliar a possibilidade de levar parte desses ativos para a blockchain Sui, ampliando as alternativas de emissão e distribuição. Para Campagna, o Brasil é um mercado importante para essa expansão por reunir um grande número de investidores em criptomoedas e uma infraestrutura de pagamentos digitais desenvolvida. O executivo destacou especialmente o Pix, que considera um exemplo da velocidade com que os brasileiros adotam novas soluções financeiras quando elas são disponibilizadas por serviços conhecidos. “O Brasil é uma peça central para a próxima fase de crescimento da Sui. O Pix mostrou como os brasileiros adotam rapidamente uma infraestrutura financeira melhor quando conseguem acessá-la por um aplicativo familiar”, afirmou. Dagnoni, do MB, também destacou que a parceria conecta a blockchain Sui à estrutura financeira já utilizada pelos clientes brasileiros. “Trazer a Sui para essa infraestrutura significa abrir uma nova rede para milhões de brasileiros dentro de um ambiente regulado”, declarou. Apesar dos planos de expansão, as empresas ainda não divulgaram quais produtos de crédito ou ativos tokenizados serão efetivamente lançados na Sui, nem quando essas funcionalidades estarão disponíveis ao público. Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta. O post Mercado Bitcoin fecha parceria com Sui para oferecer novos ativos e explorar uso do Bitcoin em DeFi apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.

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