Investidores em mercados emergentes continuam a aplicar capital em estratégias de carry trade, mesmo após o registro de uma perda trimestral, que é um evento incomum para essa modalidade. A manutenção dessa postura ocorre em um cenário de rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA em máximas de várias décadas. O mecanismo econômico por trás do carry trade envolve o empréstimo em moedas de juros baixos e o investimento em moedas de juros mais altos, buscando lucrar com o diferencial de taxa e possível apreciação cambial. Este cenário afeta diretamente moedas de mercados emergentes, como o BRL, e os títulos de dívida desses países, que se tornam mais atrativos para investidores em busca de maior retorno. Para o investidor brasileiro, o fluxo de capital para carry trades pode influenciar o câmbio e a demanda por títulos públicos. Um paralelo histórico pode ser observado em 2018, quando, apesar da elevação gradual dos juros nos EUA, países com diferenciais de juros atrativos, como o México, ainda capturaram fluxo de carry trade. O próximo gatilho a ser monitorado são os dados de inflação dos EUA e as decisões do Federal Reserve, que podem alterar o diferencial de juros. O desfecho da aposta em carry trades dependerá da manutenção dos diferenciais de juros e da estabilidade das moedas emergentes.
As próximas decisões de política monetária do Federal Reserve e dos bancos centrais de mercados emergentes, juntamente com os dados de inflação dos EUA, que saem mensalmente, definirão o diferencial de juros e o apetite por risco em relação aos carry trades.
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