A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira (28), pelo 34º ano consecutivo, uma resolução que condena o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. Embora o texto tenha recebido amplo apoio, a votação registrou uma queda expressiva no número de países favoráveis à medida, em meio a uma campanha de Washington para influenciar o resultado. A resolução recebeu 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, ante 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções no ano passado. Países como Alemanha, Itália e Letônia estiveram entre os que se abstiveram pela primeira vez em 34 anos. As votações desse tipo da Assembleia Geral não têm caráter juridicamente vinculante, mas refletem a posição dos países-membros da ONU sobre o tema. A votação ocorre em um momento de agravamento da crise econômica cubana e de intensificação das pressões dos EUA sobre a ilha, que no último ano sofreu com sucessivos apagões após Washington ameaçar sancionar economicamente outras nações que exportassem petróleo para Caracas. As tensões entre Washington e Havana também provocaram um confronto diplomático na ONU. Na terça-feira (27), o embaixador americano na organização, Mike Waltz, e o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, trocaram acusações e elevaram o tom durante uma sessão dedicada ao embargo. Segundo a Associated Press (AP), Rodríguez se aproximou da tribuna enquanto Waltz criticava o governo cubano e chamou o diplomata americano de mentiroso. Funcionários e agentes de segurança da ONU tentaram intervir. "Esse indivíduo precisa se afastar desta tribuna. Ele não vai me intimidar nos Estados Unidos da América", afirmou Waltz. "Você entende com quem está lidando? Isto são os Estados Unidos. Afaste-se." Posteriormente, Rodríguez rebateu o embaixador nas redes sociais, lembrando que o episódio havia ocorrido na sede das Nações Unidas, e não em uma reunião de segurança nacional na Casa Branca. Na semana passada, Rodríguez chegou a acusar Washington de ameaçar países integrantes da ONU com sanções caso votassem contra o embargo americano a Havana. “O Departamento de Estado está exercendo uma pressão sem precedentes — por vezes de forma pessoal e desavergonhada pelo próprio secretário de Estado — para que países-membros da ONU mudem de posição em relação ao embargo”, disse o ministro. O embargo americano contra Cuba foi imposto em 1960, após a revolução liderada por Fidel Castro e a nacionalização de propriedades pertencentes a cidadãos e empresas americanas.
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