Enviado de Trump pede a Putin retomada de negociações trilaterais de paz na Ucrânia

O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, pediu nesta quarta-feira (21) ao presidente russo, Vladimir Putin, que considere a retomada das negociações de paz com a Ucrânia mediadas pelos EUA e analise novas ideias para encerrar a guerra. O pedido se deu em meio à mais recente tentativa de Washington de pôr fim ao conflito mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Leia também: Após reunião com Zelensky, Witkoff, dos EUA, viajará à Rússia com proposta Polônia detém cidadão com dupla nacionalidade polonesa e ucraniana suspeito de espionagem As conversas em um grandioso palácio imperial em São Petersburgo, no nono encontro presencial entre Witkoff e Putin, começaram com um gesto de boa vontade da Rússia: a libertação de Stephen Hubbard, um professor americano aposentado que estava detido no país. Putin também se ofereceu para ajudar o presidente Donald Trump a lidar com o Irã, afirmando que a Rússia mantém uma relação de décadas com Teerã, que já se ofereceu repetidamente para utilizar a fim de responder às preocupações americanas com o programa nuclear iraniano. A Rússia também poderia fornecer grandes quantidades de fertilizantes aos EUA para ajudar os agricultores americanos, disse o presidente russo a Witkoff. Putin acrescentou ainda que queria discutir um possível encontro com Trump na China no próximo mês, que, segundo sugestão do Kremlin, também poderia incluir o presidente chinês, Xi Jinping. O Kremlin já havia levantado a possibilidade de Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, realizarem uma reunião trilateral durante uma cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na China, no próximo mês. O encontro ocorre em meio a preocupações em Kiev e entre seus aliados de que Washington esteja se afastando da Ucrânia, por vezes restringindo o compartilhamento de informações de inteligência em tempo real sobre ataques russos e prejudicando as comunicações militares ucranianas. As novas conversas também ocorrem mais de dois anos depois de Trump ter prometido, durante sua campanha eleitoral vitoriosa, encerrar a guerra na Ucrânia em 24 horas. "Uma coisa que espero conseguir hoje é ter uma boa conversa entre nós sobre a possível retomada das negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e EUA", disse Witkoff a Putin. "Mesmo que não cheguemos a uma solução hoje, se apenas conversarmos e considerarmos qual poderia ser o próximo passo, acho que isso seria importante, e o mundo está esperando para ouvir isso." As últimas negociações de paz mediadas por Washington ocorreram em fevereiro, antes de os EUA e Israel lançarem uma guerra contra o Irã. Ucrânia e Rússia continuam muito distantes quanto aos termos de qualquer possível acordo de paz, mas Trump intensificou recentemente a pressão sobre a Ucrânia para que feche algum tipo de acordo. Na terça-feira, ele disse que era hora de a Ucrânia encerrar a guerra ou enfrentar "algo muito ruim". Casa atingida por um ataque russo com drone, em meio à guerra na Ucrânia, em Kiev REUTERS/Gleb Garanich 'Novas ideias' para a paz Putin, que tem dado poucos sinais de disposição para ceder em seus principais objetivos de guerra, entre eles o controle total da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, e a exclusão de Kiev da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), recebeu Witkoff no Palácio de Constantino, um grandioso edifício imperial localizado na cidade natal do líder do Kremlin. Kirill Dmitriev, enviado especial de Putin para investimentos, também participou do encontro com Witkoff, enquanto os dois lados destacavam o potencial de cooperação econômica entre Rússia e EUA após a guerra. Witkoff chegou à segunda maior cidade da Rússia um dia depois de participar de conversas em Oslo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, os líderes da Finlândia e da Noruega e representantes europeus e da Otan. Witkoff afirmou que informaria Putin sobre as conversas em Oslo, que descreveu como produtivas e marcadas por "algum grau de avanço". Ele disse ter levado documentos contendo várias ideias para um possível acordo de paz, a serem analisadas por Putin, e que Jared Kushner, genro de Trump, também queria transmitir algumas propostas ao presidente russo e participaria em breve da reunião remotamente, por telefone. Uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que a Ucrânia apresentou novas ideias e propostas durante as conversas em Oslo, que registraram "avanços significativos" rumo a uma abordagem coordenada para o diálogo com a Rússia. Segundo a autoridade, as conversas abordaram "elementos fundamentais de uma estrutura abrangente de paz", incluindo garantias de segurança para a Ucrânia, um plano econômico para o pós-guerra e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla. Zelensky disse esperar discutir questões fundamentais sobre como encerrar a guerra durante uma reunião trilateral com Putin e Trump. O Kremlin tem afirmado repetidamente que qualquer encontro entre Putin e Zelensky precisaria ser cuidadosamente preparado com antecedência por assessores para que valesse a pena. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, teria transmitido ao enviado especial americano Steve Witkoff novas ideias para um acordo de paz com a Rússia REUTERS/Kylie Cooper Deterioração das relações entre EUA e Ucrânia As relações entre EUA e Ucrânia se deterioraram acentuadamente desde que Trump anunciou, no início deste mês, um acordo de exportação de diesel com a Rússia para ajudar a reduzir os preços nos EUA. Os altos custos dos combustíveis desde que Trump lançou ataques contra o Irã têm prejudicado seu Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de novembro. Desde o acordo sobre o diesel, a Ucrânia tem reclamado de interrupções em parte do compartilhamento de informações de inteligência e no uso do sistema militar de satélites Starshield, embora Zelensky tenha afirmado que a reunião de terça-feira em Oslo resultou em um acordo para resolver essas questões. Citando autoridades americanas e pessoas familiarizadas com o assunto, o Wall Street Journal informou nesta quarta-feira que o bilionário Elon Musk havia ordenado, na semana passada, a redução da velocidade de uma versão de uso militar do serviço de satélites Starlink, da SpaceX, do qual a Ucrânia depende para rastrear ataques russos com mísseis balísticos. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a informação. Musk afirmou que qualquer decisão desse tipo é tomada pelas Forças Armadas americanas ou pelo presidente. Trump disse que não era responsável, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou nesta quarta-feira que Washington não havia restringido a capacidade de Kiev de acessar o Starlink. Um militar ucraniano da 47ª Brigada prepara um equipamento de internet via satélite Starlink em uma posição na linha de frente REUTERS/Inna Varenytsia

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