Dólar dispara 8% e abre próximo a R$ 5,50 com reeleição de Lula

No day after da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o dólar dispara logo após a abertura das negociações, como o esperado pelo mercado. A divisa abriu a sessão desta segunda-feira (26), com salto de 8,64%, a R$ 5,4247, no mercado à vista. Na sexta-feira (23), o dólar encerrou cotado a R$ 4,9931 no mercado à vista. Prevendo a forte oscilação, a B3 elevou o limite superior de negociação dos contratos futuros de dólar e dos mini contratos futuros da moeda de 6% para 12%, em caráter exclusivo para o pregão de hoje. O movimento local acompanha, ainda que com pequeno efeito, do desempenho do dólar global. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,11%, aos 101.918 pontos. Por dentro dos mercados Receba gratuitamente as newsletters do Money Times OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários. Para Chris Turner, chefe global de mercados do ING, não é surpresa o dólar iniciar o pregão regular com um salto de 5% a 7%, na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25. “O cenário fiscal sempre foi o calcanhar de Aquiles do Brasil, e um déficit orçamentário de 7% a 8% do PIB, combinado a uma dívida líquida equivalente a 70% do PIB, deixa o País vulnerável a uma onda global de vendas de títulos. Em vez de uma consolidação fiscal sob Bolsonaro, os ativos brasileiros terão de lidar agora com as promessas de campanha de Lula, incluindo a redução da jornada de trabalho semanal”, avalia o estrategista. Para analistas da Ágora Investimentos, há a possibilidade de atuação do Banco Central no câmbio. Contudo, a composição da equipe econômica e as primeiras sinalizações sobre política fiscal devem determinar a duração e o tamanho do movimento de aversão ao risco. Já a Wells Fargo projetava dólar a R$ 5,30 se Lula fosse reeleito, mas avalia que fatores externos e o carry trade podem sustentar o real mesmo com a continuidade do atual governo. Com mais de 100% das urnas apuradas, o presidente teve 51,79% dos votos válidos ante 48,21% do adversário Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de mais de 4,3 milhões de votos. O resultado contrariou as pesquisas eleitorais e a disputa do primeiro turno, em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro encerrou com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista. É também a primeira vez desde 1989 que um candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno consegue reverter o resultado e vencer o segundo turno.

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