Alckmin critica Flávio por não abrir sigilo: ‘Não dá para ter vida pública e não prestar contas’

O vice-presidente da República Geraldo Alckmin (PSB) criticou nesta quarta-feira (21) o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por não abrir seus sigilos bancário e telefônico. Alckmin afirmou que não é possível participar da vida pública se não prestar contas e ressaltou a falta de transparência sobre os R$ 134 milhões que o senador pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. “É dever de quem está na defesa da vida pública prestar contas à população, permanentemente”, disse Alckmin, ao participar de evento da campanha presidencial em Campinas, no interior paulista. Na reta final da disputa pela Presidência, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem aumentado a pressão para que Flávio preste conta de sua movimentação bancária e fiscal, para tentar apontar eventuais irregularidades. Lula protocolou ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento em que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos oito anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial faça o mesmo. Flávio, no entanto, disse que só vai liberar seus sigilos pessoais se forem liberados os sigilos do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, além de informações sobre reuniões do presidente, de gastos com cartão corporativo da Presidência e informações sobre despesas da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. “Ele está dando uma desculpa. Aliás, defendo que quem se elege presidente não devia ter sigilo, nem bancário, nem fiscal, nem telefônico. Vida pública é pública, quem não quiser ter vida pública vai para o setor privado, mas não dá para ter vida pública, ser candidato a presidente da República e não querer prestar contas”, afirmou o vice-presidente. Alckmin citou como exemplos da falta de transparência de Flávio o fato de ele não ter prestado conta dos R$ 134 milhões do Banco Master, supostamente arrecadados para um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Alckmin tem feito uma série de atividades da campanha presidencial sem Lula, para ampliar o alcance da candidatura. Ao lado do ex-ministro Fernando Haddad (PT), candidato derrotado ao governo de São Paulo, o vice-presidente fez o “ato pela virada” em Campinas. Segurar despesa Ao falar com a imprensa, Alckmin disse que o governo precisa “seguras as despesas”, mas também é necessário fazer com que o PIB cresça para “poder melhorar a relação dívida-PIB”. O vice-presidente defendeu a reeleição de Lula e indicou que se Flávio for eleito, o país enfrentará um retrocesso e poderá “mudar para pior”. Alckmin criticou ainda o modelo de governo da Argentina, do presidente Javier Milei, defendido por Flávio. “O que houve na Argentina? Recessão, empresa fechando, desemprego e perda de salário.” “Eleição é comparação. Primeiro, defender a democracia. Esse é um valor, quem não acredita na democracia não devia disputar a eleição, porque quem manda é o povo, ele que elege, ele que deselege, enfim. Então, a democracia tem que ouvir e dialogar, e quem ouve mais erra menos. As ditaduras só ouvem os poderosos e os ricos, não dá a menor bola para a população.” Eleição apertada Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Haddad disse que o resultado desta eleição será muito apertado e que nesses últimos dias antes do segundo turno a campanha está fazendo a “conscientização do que está em risco no Brasil”. O petista reforçou a ideia de que não só a democracia, mas também a soberania corre risco no país.

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