Quem aplicou no Tesouro Direto em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno, e vendeu os títulos no fechamento de segunda-feira (26) teve perda de até 16,2%, segundo simulação do InfoMoney com quatro títulos prefixados e atrelados à inflação. A maior perda é do Tesouro IPCA+ 2050, comprado naquele dia na menor taxa registrada pelo título na série do Tesouro após a votação. Em 5 de outubro, o resultado do primeiro turno levou investidores a apostar na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), e as taxas tiveram forte queda. Como preço e taxa andam em sentidos opostos, os títulos ficaram mais caros. Três semanas depois, o primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inverteu o movimento, e quem comprou caro passou a vender barato. Leia também Tesouro Direto atrasa abertura mais uma vez, em meio a expectativa de queda nas taxas Plataforma segue sem negociações, enquanto o mercado de juros recua depois de o Tesouro cancelar o último leilão de venda da semana e anunciar a terceira recompra desde a reeleição de Lula Real, ações e renda fixa derretem após reeleição de Lula: o que fazer agora? Especialistas divergem ao analisar se os preços já apresentam oportunidade, e se é mais prudente esperar sinais do novo governo sobre o fiscal Depois do IPCA+ 2050, a maior perda no fechamento de segunda é a do Tesouro Prefixado 2032, de 10,7%. O Tesouro IPCA+ 2032 recua 4,6%, e o Prefixado 2029, 4,3%. Para quem vendeu cedo, o prejuízo foi maior. As taxas foram mais altas na abertura de segunda, às 12h13, e aliviaram ao longo do dia. Nesse momento, a perda do IPCA+ 2050 chegou a cerca de 27%, e a do Prefixado 2032, a cerca de 12%. Em reais, R$ 10 mil aplicados no IPCA+ 2050 em 5 de outubro valiam R$ 8.381 no fechamento de segunda, depois de chegar a cerca de R$ 7.322 na abertura. No Prefixado 2032, o mesmo valor caiu para R$ 8.926. TítuloTaxa de compra em 5/10Venda no fechamento de segunda (26)Pior momento, abertura de segundaIPCA+ 2050IPCA + 6,32%-16,2%cerca de -26,8%Prefixado 203212,95%-10,7%cerca de -11,9%IPCA+ 2032IPCA + 6,91%-4,6%cerca de -6,1%Prefixado 202912,74%-4,3%cerca de -4,5%CDB a 100% do CDI–+0,4%+0,4% Fonte: Tesouro Nacional, com cálculos do InfoMoney. No mesmo período, um CDB que pagasse 100% do CDI teria rendido 0,4% líquidos, ou cerca de R$ 39, sem a oscilação de preço dos títulos. O movimento também encolhe o ganho de quem entrou antes do primeiro turno. Em 5 de outubro, um investimento de R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2050 feito em 30 de julho, quando o título pagava IPCA + 7,54%, então a maior taxa da série, acumulava ganho bruto de 29,5%. Com os preços do fechamento de segunda, o ganho bruto do mesmo investimento cai para 11,6%. A simulação considera R$ 10 mil aplicados pelo preço de compra da manhã de 5 de outubro, informado na série histórica do Tesouro, e vendidos pelo preço de resgate. A venda no fechamento de segunda-feira (26) usa o preço de resgate divulgado pelo Tesouro Direto. A venda na abertura de segunda usa preço de resgate estimado a partir do spread entre compra e venda da manhã de sexta-feira (23). Os valores são líquidos da taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano. Como todos os títulos têm perda, não há cobrança de IR nem de IOF. O CDB considera CDI de 13,65% ao ano por 14 dias úteis, com IR de 22,5% e IOF de 30% sobre o rendimento, por ter 21 dias de aplicação. A comparação com a compra de 30 de julho usa o preço de compra da manhã daquele dia e o preço de resgate do fechamento de segunda, em valores brutos. Do rali do 1º turno à alta recorde dos prefixados A perda reflete a distância entre os dois pregões. Em 5 de outubro, os prefixados tiveram a segunda maior queda diária de taxas da série histórica do Tesouro, iniciada em 2005. Na abertura de segunda, tiveram a maior alta. Esse vaivém aparece no preço por causa da marcação a mercado. Quando as taxas sobem, um título comprado antes passa a pagar menos que os novos, e o preço cai para compensar a diferença. O efeito é proporcional ao prazo, e por isso o IPCA+ 2050, com quase 24 anos até o vencimento, perde mais que os títulos de 2029 e 2032. O IPCA+ 2050 foi comprado em 5 de outubro a IPCA + 6,32% e vendido na segunda a IPCA + 7,15%, a taxa de resgate do fechamento, pela qual o investidor vende ao Tesouro. No Prefixado 2032, a taxa passou de 12,95% na compra para 15,62% na venda. A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem comprou o Tesouro IPCA+ 2050 e o Tesouro Prefixado 2032 em 5 de outubro e leva os títulos até o fim recebe a rentabilidade contratada, de IPCA + 6,32% e de 12,95% ao ano, respectivamente, antes de impostos e custódia. Para Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultora, o momento pede cautela tanto para comprar quanto para vender. “Agora é manter a cabeça no lugar e não comprar ou vender no calor do momento”, diz. Glauber Sá, fundador da Akros Consultoria, recomenda segurar os títulos longos. “O erro mais caro não é comprar no dia errado, é abandonar a estratégia no meio do caminho”, afirma. The post Aplicação no Tesouro na euforia do 1º turno desvaloriza até 16% em 3 semanas appeared first on InfoMoney.
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