Crédito Consignado Dispara 225% e Atrai Bancos e Fintechs no Brasil

O crédito consignado privado no Brasil registrou um crescimento expressivo de 225%, saltando de R$ 43 bilhões em março de 2025 para mais de R$ 140 bilhões em junho de 2026. Este aumento substancial é atribuído principalmente aos juros significativamente mais baixos oferecidos por essa modalidade, em comparação com outras opções de crédito pessoal sem garantia. Em um contexto de Selic elevada, endividamento e inadimplência recordes, a garantia do salário reduz o risco para os credores e oferece alívio financeiro aos tomadores. Consequentemente, instituições financeiras como bancos e fintechs estão intensificando sua atuação, utilizando canais próprios e parcerias com RHs de empresas. Para o investidor brasileiro, isso sinaliza uma alocação de capital mais defensiva no setor financeiro, com preferência por players expostos ao crédito de menor risco, impactando positivamente ações como BBAS3 e ITUB4 e fintechs como NUBR33. Historicamente, em períodos de alta taxa de juros e inadimplência, como o observado no Brasil entre 2015-2016, o crédito consignado também demonstrou resiliência e crescimento, ajudando a estabilizar as carteiras de crédito dos bancos. O próximo gatilho a ser monitorado é a evolução da Selic e os dados de inadimplência, que podem sustentar ou alterar a atratividade do consignado no médio prazo, com cenários de consolidação de players nesse nicho.

Análise

Nos próximos 3-6 meses, espera-se que o crédito consignado continue sua trajetória de crescimento, sustentando a rentabilidade dos bancos e fintechs focados nesse produto. O principal gatilho para uma aceleração seria a manutenção da Selic acima de 11% e a inadimplência acima de 5%, incentivando a migração de dívidas mais caras para o consignado. Em contrapartida, uma redução dos juros básicos ou um aumento da competição poderia desacelerar o ritmo de expansão, mas o produto deve permanecer como um pilar de estabilidade para o setor financeiro.

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