Inflação Produtor China atinge alta de 4 anos; CPI decepciona

O índice de preços ao produtor (PPI) da China registrou sua maior alta em quatro anos em junho, refletindo o aumento dos custos de insumos e matérias-primas. Em contrapartida, o índice de preços ao consumidor (CPI) surpreendeu negativamente, ficando aquém das expectativas de mercado. Essa discrepância é um sinal de que as empresas chinesas estão enfrentando dificuldades em repassar o aumento dos custos de produção para os consumidores finais, resultando em compressão das margens de lucro. Ativos de empresas chinesas exportadoras e de manufatura, como 1211.HK (BYD) e 9988.HK (Alibaba), podem enfrentar pressão sobre a lucratividade. Para o Brasil, o impacto pode ser indireto, via menor demanda chinesa por commodities, afetando VALE3 e outras exportadoras. O Banco Popular da China (PBoC) pode ser pressionado a adotar medidas de estímulo monetário para impulsionar a demanda, mas a inflação ao produtor limita a flexibilidade. Em 2016, a China teve um PPI elevado com CPI contido, gerando pressão sobre lucros industriais. Os próximos dados de inflação e de atividade industrial na China, com foco nas medidas do PBoC, serão cruciais para avaliar a persistência da divergência e a resposta política. No médio prazo, essa dinâmica pode forçar o PBoC a escolher entre apoiar a demanda ou conter os custos, com implicações para o crescimento global.

Análise

Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que os mercados acionários chineses, especialmente os setores de manufatura e consumo, reflitam a pressão sobre as margens. O PBoC estará sob crescente pressão para anunciar medidas de estímulo. Se não houver uma resposta política contundente, o CPI pode continuar fraco, e o PPI pode começar a desacelerar devido à menor demanda, mas com empresas ainda sofrendo e VALE3 sob pressão de preços de minério ($72.70 hoje pode testar $68-70).

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