Lareal revela divergência em classificação de 38% dos fundos imobiliários

A Latin America REITs Association (Lareal) conduziu um levantamento com 303 fundos de investimento imobiliários (FIIs) negociados em bolsa, revelando que 110 deles, o que corresponde a 38% dos 291 fundos com classificação comparada, apresentam uma divergência entre o mandato e a composição real de suas carteiras. Essa discrepância ocorre porque a classificação atual frequentemente se baseia no mandato inicial, sem refletir mudanças decorrentes de investimentos efetivos, fusões ou incorporações de ativos, segundo a Lareal. A associação, que reúne grandes gestoras como Alianza, Guardian, Pátria, TRX, Valora, Vinci Compass e Zagros, está introduzindo uma metodologia própria para padronizar essas classificações. O objetivo é aprimorar a comparabilidade entre os fundos e ampliar o acesso a investidores institucionais e estrangeiros, que atualmente enfrentam dificuldades para compreender a verdadeira natureza desses ativos no Brasil. Potyguara Camargo, presidente da Lareal, afirmou que o problema não é a qualidade dos ativos, mas a ausência de uma leitura padronizada, que impede FIIs com liquidez de integrar índices globais. Os 110 fundos reclassificados somam R$ 75,8 bilhões em patrimônio líquido, representando 33% do patrimônio total da amostra em outubro. Fundos menores são mais afetados, com 43% dos 25% de menor patrimônio líquido mudando de classificação, contra 31% entre os com patrimônio acima de R$ 1 bilhão. Dentre os 20 maiores FIIs por patrimônio líquido, oito mudariam de classificação, incluindo GARE11, GGRC11, VINO11 e VISC11 (de multiestratégia para tijolo); VGRI11 (de tijolo desenvolvimento para tijolo); VGHF11 e VGPR11 (de papel híbrido para multiestratégia); e IBBP11 (de tijolo renda para multiestratégia). A nova metodologia da Lareal exige que uma atividade responda por pelo menos 75% do resultado imobiliário anual para definir a classificação principal do FII.

Análise

O desfecho do impacto desta iniciativa dependerá da aceitação e implementação da nova metodologia de classificação pela indústria de FIIs e, crucialmente, da reação dos investidores institucionais e estrangeiros. Será fundamental observar se a maior transparência realmente se traduz em um aumento no fluxo de capital para o setor, e como os fundos reclassificados serão precificados após essa nova visibilidade, sem uma data específica para a consolidação desses efeitos.

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