A quebra do ueno bank é um teste para o sistema financeiro do Paraguai, mas não deve gerar uma crise sistêmica, segundo a Moody’s. Para a agência de classificação de risco, desde que o processo de resolução seja rápido e ordenado, os riscos são contidos. “A liquidação do ueno é um fator negativo para o setor bancário, pois depositantes não cobertos por garantia — incluindo algumas empresas — podem enfrentar atrasos ou perdas em seus saldos, o que poderia gerar um impacto modesto e temporário na economia real. ... No entanto, o Banco Central do Paraguai indicou que cerca de 97% dos depositantes estariam integralmente cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD)”, aponta a Moody’s. Segundo o relatório, excluindo os depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outras entidades do setor público, os saldos não cobertos pelo seguro do FGD representam cerca de 40% do total de depósitos do ueno. Esses valores passam a ser classificados como créditos a serem pleiteados junto à massa remanescente do banco, com incerteza quanto à possibilidade de recuperação. A agência aponta que o ueno adotou uma estratégia de crescimento diferenciada, com foco no digital, levando serviços bancários a uma parcela significativa da população que antes não tinha acesso a eles, tudo isso favorecido por um ambiente macroeconômico favorável. Desde que obteve a licença bancária, em 2022, o ueno expandiu rapidamente sua carteira de crédito e o volume de depósitos. “Após três anos de intensa competição por depósitos, impulsionada em parte pelo rápido crescimento do ueno, esperamos que os custos de captação se moderem com a saída da instituição. Os maiores bancos do Paraguai, incluindo o Banco Itaú Paraguay, Banco Continental, Banco Sudameris e o Banco GNB — que, juntos, detêm cerca de 60% dos depósitos do sistema — deverão ser os mais beneficiados com a realocação de recursos.” Em relatório, Rhys Hicks, analista de bancos e pagamentos da GlobalData, afirma que o colapso repentino do ueno bank levanta questões sobre a governança de bancos digitais em rápido crescimento em mercados emergentes. “A dimensão dessa disrupção ressalta que os bancos digitais estão se tornando sistemicamente importantes muito antes de uma governança adequada ser implementada”. Ele aponta que o modelo de banco digital reduz drasticamente os custos de aquisição de novos clientes e o tempo necessário para o cadastro, permitindo que essas instituições acumulem depósitos muito mais rapidamente do que seus controles de risco e sua base de capital conseguem amadurecer. “Os órgãos reguladores costumam avaliar a importância sistêmica de um banco com base no tamanho de seu balanço patrimonial. Contudo, o colapso do ueno demonstra que o alcance junto aos clientes também deve ser um fator relevante. Quando cerca de 60% da população adulta de um país depende de uma única instituição para realizar pagamentos e manter suas economias, uma eventual falha torna-se um evento de grande impacto na confiança pública, independentemente do volume de ativos”. O analista aponta ainda que, à medida que essas instituições ganham escala, deveriam ser aplicadas regras mais rigorosas sobre suas estruturas societárias e sobre a concessão de crédito a partes relacionadas. “Em última análise, o colapso do Ueno Bank reforça uma mensagem para os líderes do setor de serviços financeiros: a velocidade e a escala do crescimento digital precisam ser acompanhadas por um aprimoramento proporcional da governança; caso contrário, a inovação servirá apenas para permitir que os riscos se propaguem ainda mais.”
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